A Saga Crepúsculo - Eclipse

Ah... Lá vamos nós... Esse fenômeno realmente me surpreende, qual é o segredo de Stephenie Meyer? Algumas pessoas dizem que Stephenie botou uma menina insegura como todas as adolescentes encontrando seu verdadeiro amor e por isso faz tanto sucesso, mas eu não engulo essa explicação, pois isso não é algo novo, não é algo que veio com a "Saga Crepúsculo", qualquer romancezinho que tu pegar pra ler vai ter isso. Eu acho que daqui a uns cinco anos nós vamos olhar pra essa época de agora e nos sentirmos realmente estúpidos, eu não me lembro de uma moda adolescente mais vergonhosa que essa. Eu fiquei pensando em coisas estúpidas que eu gosto como, por exemplo, filmes trash de terror, é estúpido e eu gosto, a diferença é que eu sei que é ridículo e eu só assisto porque eu acho engraçado e divertido. As pessoas levam "A Saga Crepúsculo" a sério! Mas pra ser justo, "Eclipse" é de longe muito melhor que "Lua Nova", e isso é por um simples motivo: David Slade, o diretor desse terceiro filme. Slade é um diretor jovem que ainda esta se firmando em Hollywood, mas ele já provou que tem talento quando dirigiu o suspense "Menina Má.com". Slade fez de tudo para fazer de "Eclipse" um bom filme. Guiou os atores que melhoraram um pouquinho, fez os personagens serem mais carismáticos (dentro do possível) e tentou focar a história menos em Bella (Kristen Stewart), Edward (Robert Pattinson) e Jacob (Taylor Lautner). Mesmo assim o filme é 95% só esses três personagens.

Depois dos eventos de "Lua Nova" os três protagonistas sofreram mudanças. Bella continua sendo uma pessoa horrível, sacana que não pensa em ninguém a não ser nela mesma. Por isso ela fica pedindo o tempo todo pra Edward transformar ela em vampira, coisa que ele não quer fazer, mas ela não sabe respeitar os desejos do namorado que ela tanto ama. Ela também fica implorando pra transar com ele, coisa que ele só quer fazer depois de casado. Ela também trai Edward com Jacob umas duas vezes, sendo uma na frente dele, mas Edward leva na boa porque ela tem que poder escolher com quem ela quer ficar, e ela basicamente escolhe os dois, só que Edward é muito tapado pra perceber isso. Eu fico abismado em como essa personagem é egoísta, todas as ações dela mostram como ela é uma pessoa horrível! Tirando toda sacanagem que ela faz com Jacob e Edward que são, por algum motivo nunca explicado, cegamente apaixonados por ela, ela também provoca uma guerra. E então a rivalidade que sempre existiu entro Lobisomens e Vampiros é deixada de lado por um motivo muito mais nobre e importante: Salvar Bella! Vampiros e Lobisomens passam noites em claro vigiando a casa dela e todos preparam-se para por sua vida em jogo em uma batalha contra Vampiros Recém Criados (que na teoria são muito mais fortes, na prática não exatamente). E no meio dessa guerra, com todos esses esforços para proteger Bella, ela simplesmente não se importa. Edward pede pra ela ficar no carro pois ele nota perigo, Bella desobedece. Aliás, quando Bella se tornar uma vampira adivinhem como ela pretende deixar sua família? ELA VAI IR EMBORA SEM DAR NENHUMA EXPLICAÇÃO! Tipo dane-se miha família, vou deixar eles ficarem preocupados e deprimidos e com uma tristeza que vai acompanhar eles pelo resto da vida deles pois eles não vão saber o que aconteceu com a filha deles, porque meu namoro COMPLETAMENTE ARTIFICIAL com o Edward vale muito mais a pena. ALGUEM LEU ESSE SCRIPT?

Já Edward nesse filme se torna esse cara obsessivo (se bem que todos os personagens nessa série são um bando de possessivos obsessivos. Não existe amor, só obsessão) e ciumento que fica o tempo todo querendo saber onde Bella está, com quem ela está e porque ela está. Eu até entendo isso, afinal Bella tem a capacidade mental de uma uva e tem um bando de vampiros assassinos atrás dela. Mas na verdade tanta preocupação não é necessária afinal a irmã de Edward, Alice (Ashley Greene), tem o conveniente poder de prever o futuro, então quando algo de ruim está para acontecer os vampiros e lobisomens sempre tem um aviso prévio. Se Meyer realmente quisesse que sua história tivesse suspense ela teria que matar logo essa personagem pois Alice tira o único atrativo do filme, que é a guerra que está se aproximando. Jacob nesse filme virá provavelmente o personagem mais engraçado de todos, o filme tenta passar ele como um cara bonzinho mas, no fim das contas, ele agora é basicamente um estuprador. Ele fica falando coisas como "Bella, você me ama, você me quer, você só não sabe disso ainda!" e "Eu prefiro ver você morta do que com Edward!" E ele também beija ela a força, legal né? E o que é muito engraçado, ele passa o filme todo dando em cima de Bella e querendo ficar com ela e tal, e quando Bella finalmente diz que ama ele (apesar de afirmar que ainda ama mais o Edward) ele finalmente desiste dela... Alguém tem que dizer pra Stephenie Meyer ler antes de escrever porque isso não faz nenhum sentido.

O ponto final é: "A Saga Crepúsculo - Eclipse" é um filme patético com uma das piores narrativas que eu já vi em toda minha vida. A idiotice dessa série passa dos limites e zomba de todos os fãs dessa porcaria. Dói na alma ver tantas pessoas assistindo esse lixo e adolescentes berrando e gritando para a tela. É simplesmente deprimente ver uma produção tão fraca se tornar tão popular sem um bom motivo. Um detalhe que me chama a atenção nesse filme é a história do passado de dois personagens secundários que mal aparecem ne filme: Jasper (Jackson Rathbone) e Rosalie (Nikki Reed). A história do passado deles é muito mais interessante do que toda trama do filme e provavelmente dariam filmes muito melhores. Sem contar que são personagens muito mais interessantes que os três principais e que são simplesmente desperdiçados por Meyer. Aliás, Dakota Fanning está nesse filme, ela é a vilã Jane, vi numa entrevista ela dizendo que fez esse papel para as pessoas pararem de ver ela como uma garotinha e vissem ela como uma atriz mais séria... Se essa era a idéia o tiro saiu pela culatra, Dakota deixou de ser uma das raras crianças que atuam bem para se tornar simplesmente mais uma adolescente fútil.

Nota: 1.5

Próxima análise: Ilha do Medo

O Lobisomem

De volta de mais uma parada mas o importante é que estou de volta. Estou pensando em formas de como divulgar mais o blog, posso até estar pensando nisso por nada pois no momento tenho 19.599 acessos, e nunca imaginei que fosse chegar sequer perto disso. Falemos do que interessa: Ainda lembro do dia em que assisti "O Lobisomem" de 1941, claro que não assisti em 1941, isso foi entre 2008 e 2009. Eu não tive grandes problemas com esse clássico mas também não foi nem perto dos melhores filmes que vi. Comparando com "Frankenstein" e "Drácula" de 1931 "O Lobisomem" não tem muito o que oferecer, eu sei que talvez eu seja linchado por dizer isso mas eu simplesmente não achei nada demais esse clássico. Uma curiosidade interessante: "O Lobisomem" de 1941 tem Lon Chaney, Jr. no papel principal, filho do lendário Lon Chaney um dos maiores atores da era do cinema mudo, ator que fez "O Fantasma da Ópera" de 1925 entre muitos outros filmes. Mas o que importa é que em 2010 lançaram um remake desse clássico filme de terror, um remake com o mesmo nome. Apesar de "O Lobisomem" de 2010 ser muito mais previsível e ter muito menos charme que o original ainda sim o filme pode ser apreciado por outros motivos.

A história é bem diferente da do original: Gira em torno do ator Lawrence Talbot (Benicio del Toro). Após um apresentação Lawrence recebe uma visita de Gwen Conliffe (Emily Blunt) que diz para ele que seu irmão esta desaparecido, Gwen está noiva de seu irmão. Relutante Lawrence decide voltar para sua cidade natal, onde seu pai e seu irmão vivem, para descobrir o que aconteceu com seu irmão. Logo ao reencontrar seu pai, Sir John (Anthony Hopkins), ele recebe a notícia de que seu irmão foi encontrado morto, provavelmente por uma espécie de besta. Lawrence vê o corpo mutilado de seu irmão e decide encontrar e destruir o ser que o matou. O povo basicamente culpa os ciganos e alguns dizem que foi um lobisomem, ouvindo isso Lawrence decide falar com os ciganos, e no meio de sua visita vários homens chegam botando a culpa em um urso que os ciganos mantém preso com eles. No meio da discussão um lobisomem ataca, mata vários e morde Lawrence. Agora em toda noite de lua cheia Lawrence irá se tornar um lobisomem.

 O grande trunfo de "O Lobisomem" é que ele consegue fazer um filme com visuais bonitos, dando aquele sentimento de filme clássico com sua atmosfera, e ainda assim tem cenas sanguinolentas de um terror mais tradicional. A mistura de horror clássico com horror moderno é o que consegue manter esse filme. Infelizmente esse é basicamente o único atrativo de "O Lobisomem", além das ótimas atuações que já eram esperadas. Nenhum personagem é realmente carismático e a história fica devendo muito em vários aspectos, algumas coisas são muito forçadas e as reviravoltas no enredo são bastante estúpidas. É engraçado porque eu achava esses problemas a serem os mesmos problemas do original, e esse remake consegue cometer o mesmo erro, é meio irônico no mínimo. Porém se a sua idéia é simplesmente sentar e esquecer da vida assistindo a um filme então "O Lobisomem" é a pedida certa para você.

O ponto final é: "O Lobisomem" não é o remake que se pediu a Deus, mas pensando bem nenhum remake consegue realmente recapturar a mágica do filme original. Apenas remakes como "Scarface" realmente valem a pena, que são aqueles remakes que criam um outro tipo de "mágica" como se fosse um filme novo. Infelizmente os remakes mais recentes não conseguem isso, e se estamos em um ponto que remakes parecem surgir o tempo todo, pelo menos vamos exigir que eles sejam feitos da forma certa.

Nota: 6.0

PS: Desculpem a demora pra postar e desculpem a baixa qualidade dessa crítica, estive de férias e estou voltando apenas agora. Essa crítica foi feita na pressa para eu postar logo pois eu estava meio chateado com a falta de posts.

PS2: Um leitor me chamou de "crítico de novela" na minha análise de "Lua Nova". Posso até ser pois sei que no final tudo da certo. Obrigado pela "crítica construtiva" campeão! Abraço.

 

Próxima análise: A Saga Crepúsculo - Eclipse

O Golpista do Ano

Que tal mais uma análise de um filme com Jim Carrey? "O Golpista do Ano" é um filme de drama/comédia baseado em uma história real. É impossível falar desse filme sem falar de um dos meus filmes favoritos: "Prenda-me Se For Capaz". A semelhança é enorme: Os dois filmes contam a história real de dois criminosos trapaceiros, mentirosos e muito inteligentes. Mas os dois com histórias trágicas e sempre roubando para viver bem, nunca machucando outras pessoas. Por enquanto que "Prenda-me Se For Capaz" conta a história de Frank Abagnale Jr, um ex-impostor que se mostrou tão talentoso para fraudar que acabou saindo da prisão oito anos mais cedo e começou a trabalhar com a polícia. Já "O Golpista do Ano" conta a história de Steven Jay Russell, um trapaceiro impostor tão "talentoso" quanto Frank Abagnale. Steven Russel, homossexual assumido, passou por várias prisões e, em uma delas, ele conheceu Philip Morris, e os dois se apaixonaram quando eram companheiros de cela. Então Steven sempre fez de tudo para estar com Philip Morris e lhe dar uma boa vida, e isso lhe meteu em muitos problemas com a lei. O caso de Steven Jay Russel foi considerado um encandâlo quando aconteceu nos EUA e constrangeu o próprio George W. Bush. "O Golpista do Ano" foi dirigido por John Requa e Glenn Ficarra, os dois costumam apenas escrever o roteiro e as vezes serem também co-produtores, "O Golpista do Ano" foi a primeira experiência deles dirigindo.

O filme começa mostrando a vida de Steven Jay Russel (Jim Carrey) morando em Virginia Beach como um homem de família, ironicamente ele era policial, ele é casado e ama sua mulher Debbie (Leslie Mann) que segundo o filme o acompanhou durante toda sua vida, mesmo depois da separação, sempre se mostrando uma amiga fiel. O grande objetivo de Steven na época era descobrir quem era sua mãe biológica, quando finalmente Steven descobre ele acaba sendo ignorado pela própria mãe e então ele nunca mais a procura. Após um acidente de carro Steven resolve parar de desperdiçar sua vida e resolve acabar com o seu casamento, admitir que é gay e se muda para Miami. Em Miami ele começa a namorar Jimmy (vivido por Rodrigo Santoro, é nós temos um brasileiro nesse filme) e começa a viver uma vida de luxo com seu namorado. Logo Steven nota o que todos sabem: Uma vida de luxo é uma coisa cara. Então Steven deixa de ser um policial e se torna um trapaceiro, e ele vive bem até ser pego, quando Steven é pego Jimmy acaba o namoro dos dois. Na prisão Steven então conhece Philip Morris (Ewan McGregor) e é ai que a grande, e estranha, história de amor entre os dois começa.

Eu gostaria de chamar a atenção para as atuações sem falhas de todos os atores nesse filme. Eu não via Jim Carrey em um papel que combinasse tanto com ele desde "As Loucuras de Dick e Jane" de 2005 (que foi um filme bem mediano). Jim Carrey faz tudo certo com esse personagem, de novo é parecido com "Prenda-me Se For Capaz" pois, naquele filme você gostava do personagem graças a grande atuação de Leonardo DiCaprio, aqui você gosta de Steven Russel graças a atuação de Carrey. Não é um trabalho tão fácil fazer o telespectador gostar e se importar com um criminoso. Ewan McGregor também está ótimo como Philip Morris, ele volta a ter todo aquele carisma que ele tinha como Christian em "Moulin Rouge". Leslie Mann sempre faz seu trabalho bem, assim como Rodrigo Santoro, tenho apenas elogios aos dois. Esse é um daqueles filmes que você senta pra assistir e ele passa rapidinho, apesar de ser um filme sério em muitos momentos "O Golpista do Ano" é um filme leve que te diverte muito durante todo o tempo. Admito que no final o clima fica mais pesado e se tem uma meia-hora de um drama forte, mas mesmo em seus momentos tristes esse é um filme que não deixa a desejar. É um filme muito bem balanceado com momentos leves e momentos pesados.

O ponto final é: "O Golpista do Ano" é um grande filme, um filmaço. No fim das contas a história de Steven Jay Russel é uma história que merece ser contada e merece ser ouvida, principalmente quando contada de forma tão divertida. Apesar de ser um filme sem falhas eu ainda senti falta de um pouco mais de profundidade na história. Talvez pareça besteira mas, se eu não tivesse assistido "Prenda-me Se For Capaz" esse filme seria ainda melhor. Esse e o filme de Spielberg são realmente muito parecidos, e para mim "Prenda-me Se For Capaz" ainda é melhor. Mas isso não é desculpa para você deixar de ver esse filmaço que é "O Golpista do Ano".

Nota: 8.5

  

Próxima análise: O Lobisomem

Eliminados

Já estou imaginando a fúria dos blogueiros e jornalistas esportivos brasileiros. Todos aqueles que critícaram a seleção antes da eliminação se amontoando para mostrar como eles estavam certos. O país inteiro se deitando em cima do Dunga, em cima do Kaka, em cima do time inteiro. A  Rede Globo lavando a alma depois de todos os problemas que teve com o Dunga. Eu não pretendo fazer parte disso, diferente da seleção que jogou na Alemanha em 2006 eu acho que esse time pode voltar pra casa de cabeça erguida e tinha mais é que ser aplaudido pela sua torcida. Aplaudido pela torcida assim como a Argentina de 2006 foi aplaudida após a eliminação contra a Alemanha. Mesmo que o Dunga tenha cometido erros, mesmo que o Felipe Melo não tenha tido nenhuma maturidade, mesmo que o Kaka não tenha jogado tudo que sabe e mesmo que nós tenhámos saído nas quartas-de-final. Porque futebol é assim, eu não estou falando para nos contentarmos com pouco ou que o Brasil não tenha uma enorme responsabilidade de ganhar, não estou falando que essa seleção não merece críticas. Eu estou falando que além das críticas ela também merece reconhecimento. Mas como no Brasil todo mundo acha que sabe tudo isso provavelmente não vai acontecer.

Maldito Futebol Clube

Como todos nós sabemos, estamos no mês da Copa do Mundo de Futebol, e não há nada relacionado a futebol que eu goste mais do que a Copa. Talvez isso aconteça um pouco porque a qualidade dos jogos é maior, um pouco porque tem jogos todos os dias e um pouco porque o meu querido Grêmio está na seca desde 2001. Mas o motivo principal é a magia da Copa do Mundo: Apesar de ser recheada com erros de arbitragem que atrapalham o espetáculo (como qualquer outro campeonato de futebol no mundo) a Copa do Mundo é sempre tão bonita. Eu adoro ver as 32 seleções jogando e faço de tudo para não perder nenhum dos jogos, e ao contrário de muitos, eu estou achando essa Copa muito boa. Talvez os gols não saiam em grande quantidade mas só de ver as zebras pintando e o campeonato sendo mais equilibrado eu já estou feliz. Mas se eu não posso concordar com todos nesse assunto uma coisa é certa, eu posso concordar com todos que "Maldito Futebol Clube" é o melhor filme sobre futebol de todos os tempos. Quando se fala em filmes de futebol algumas pessoas pensam naqueles filmes brasileiros horríveis de conversas no bar ou em alguma palhaçada americana como "Ela é o Cara" que infelizmente são os que mais ganharam atenção por aqui. Mas com o inglês "Maldito Futebol Clube" a história é outra.

"Maldito Futebol Clube", dirigido por Tom Hooper (não confunda com Tobe Hooper diretor de "Poltergeist" e "O Massacre da Serra Elétrica"), conta a história real do técnico de futebol inglês Brian Clough (Michael Sheen) um dos técnicos ingleses de futebol mais respeitados de todos os tempos e conhecido como "o melhor técnico que não treinou a seleção" na Inglaterra. Brian Clough era um egomaníaco que tinha um grande sentimento de rivalidade contra o técnico da seleção inglesa naquela época, Don Revie (Colm Meaney). A história vai alternando entre flashbacks e o tempo atual. O tempo atual é 1974. Após a seleção inglesa não conseguir se classificar para a Copa do Mundo, Don Revie é chamado para treinar o time inglês. Antes de ser chamado para a seleção inglesa Revie era técnico do Leeds United desde 1961, e nesses anos ele levou o Leeds a ser o melhor time da Inglaterra ganhando tudo que tinha para ganhar dentro da Inglaterra, porém nunca ganhando nada internacional (hoje o Leeds está na segunda divisão inglesa). Brian Clough acabava de sair de uma briga com seu antigo time em após a saída de Don Revie do Leeds United Brian foi treinar justamente o Leeds, um time que ele odiava e os jogadores odiavam ele. Antes disso Brian havia treinado e feito seu nome no Derby County e tirado o time da segunda divisão em 1968 para ser campeão da primeira divisão em 1972 (hoje o Derby County também está na segunda divisão).

O filme mostra todo o passado de Brian Clough quando treinava o Derby County com seu amigo Peter Taylor (vivido por Timothy Spall, o Rabicho de Harry Potter). Mostra como surgiu a grande rivalidade entre Clough e Revie e consequentemente entre Leeds United e Derby County. Mostra a história épica de Brian Clough começando da segunda divisão com seu time e levando ele ao título da primeira divisão e depois sua derrocada até ir treinar o Leeds. Brian Clough fracassa de forma vergonhosa no comando do Leeds, muito também pela ausência de seu grande amigo Peter Taylor e então ele tem que lidar com o fracasso. E é sobre isso que esse filme é. É a história de um homem e seu ego, é a história de uma grande amizade, é a história de um homem tendo que lidar com seus erros e no fim dando a volta por cima. Quando assisiti o filme eu liguei muito a imagem de Clough com a de José Mourinho, técnico falastrão do Real Madrid e atual campeão da Liga dos Campeôes pela Internazionale. Mas agora após essa eliminação do Brasil para a Holanda não consigo não ligar a imagem de Clough com a de Dunga. Talvez essa Copa do Mundo tenha sido a mesma coisa para Dunga do que foi treinar o Leeds para Clough. Só o tempo vai dizer.

O ponto final é: "Maldito Futebol Clube" é um filmaço e certamente o melhor filme de futebol já feito. É uma história inspiradora que vai certamente agradar a todos, mesmo aqueles que não gostam de futebol. Agora se você é fã do esporte você é praticamente obrigado a ver. Os atores são competentes e a direção é muito boa, Michael Sheen arrasa no papel de Brian. É uma história bonita que relmente merecia ser contada nas telas. Essa crítica foi uma crítica difícil de fazer e feita com uma certa tristeza no coração, mas isso foi uma coisa injusta da minha parte para com esse filmaço que é "Maldito Futebol Clube".

Nota: 8.5

Próxima análise: O Golpista do Ano

Luto

Antes de começar minha próxima crítica gostaria de dizer o quanto sinto pela morte do escritor José Saramago, mesmo eu não sendo um grande fã dele e nunca tendo lido um livro sequer dele eu teria que ser um hipócrita para não dizer que o mundo acaba de perder um de seus maiores escritores. Ficam aqui meus pesámes para todos aqueles ligados a Saramago, incluindo seus fãs.

Jogos Mortais VI

Em 2004 um certo filme independente de terror chegou aos cinemas e se transformou em uma nova febre, do tipo que não se via desde "Pânico". Esse filme era "Jogos Mortais", e fez muito sucesso simplesmente por apresentar ao público um novo tipo de terror, esse tipo veio a ser conhecido por muitos como "Torture Porn" ("Tortura Porno"), na verdade "Jogos Mortais" não criou o gênero, foi simplesmente o primeiro filme americano a realmente apostar tudo nesse estilo, se você já assistia os filmes de Takashi Miike por exemplo você já conheceria esse gênero de forma muito mais pesada. Mas para os méritos de "Jogos Mortais": O filme foi muito bem feito e teve uma reviravolta final fantástica, e a história de um serial-killer que literalmente joga com suas vítimas, apesar de simples, é bastante assustador. E os motivos de Jigsaw (o assassino) são surpreendentemente inovadores e profundos. Então sim, você gostando ou não "Jogos Mortais" é sim um filmaço e um marco na história do cinema de terror. Mas então veio "Jogos Mortais II" que foi abaixo da média, "Jogos Mortais III" que foi tão ruim que chegou a ser bom (foi um filme hilário), "Jogos Mortais IV" que foi um lixo de proporções cósmicas e "Jogos Mortais V" que conseguiu a façanha de ser pior que o quarto filme. E eu sei que muitos vão pensar que eu sou um idiota por continuar assistindo esses filmes até esse ponto e quer saber, vocês estão certos. Eu não sei mais o que eu estou fazendo assistindo essa série horrível. Cada filme consegue fazer ainda menos sentido que o anterior e todos seguem a mesma fórmula estúpida desde o primeiro. E esse sexto filme é dirigido por um mestre de edição cinematográfica Kevin Greutert, que nunca havia dirigido um filme antes. E acho que a paixão desse diretor pela série conseguiu fazer um filme que tirou um pouco o nome "Jogos Mortais" da lama, mas não o suficiente.

Na primeira cena do filme você vê duas pessoas que para se salvar precisam por partes de seus corpos em uma balança e quem por mais peso não sofrerá uma morte horrível. Pena que nenhum dos dois se tocam que eles podiam por suas roupas e as ferramentas de mutilação dadas na balança e assim um deles pelo menos sairia ileso, então os dois começam a se mutilar feito loucos, se você já viu um dos filmes anteriores deve saber bem como é o estilo dessas cenas. A história é dividida entre dois personagens (como em todo filme da série desde o segundo): O primeiro personagem é o Detetive Mark Hoffman (Costas Mandylor) que se tornou o assassino desde a morte de John Kramer (Tobin Bell) no terceiro filme. Aliás, John Kramer está morto desde o terceiro filme e mesmo assim continua aparecendo com um dos protagonistas em todos os filmes, eu sei que Tobin Bell é um grande ator e que o personagem dele é certamente o melhor de todos mas as coisas estão realmente ficando meio forçadas. Daqui a pouco vai aparecer o irmão gêmeo malvado dele ou vamos descobrir que ele nunca morreu, sei lá. O outro personagem principal é Willian Easton (Peter Outerbridge) que trabalha para um convênio médico que prefere deixar as pessoas morrerem do que gastar dinheiro para salvar suas vidas. Nesse aspecto do filme podemos ver o diretor Greutert brincando de Michael Moore, pois ele está fazendo uma crítica nada sútil ao sistema de saúde americano. Então se você for um crítico de cinema pretensioso, e eu sou, você pode dizer que esse é um filme pró-Obama. Willian acaba sendo o escolhido para enfrentar os jogos doentios de Hoffman por motivos que vão sendo revelados durante o filme.

"Jogos Mortais VI" consegue ser melhor que os dois últimos filmes da série, mas mesmo assim ainda passa longe de ser um bom filme. Por enquanto que os jogos nesse filme são um pouco mais inspirados eu não posso dizer o mesmo da trama. O final é muito previsível, o mais previsível da série aliás, mas pelo menos ele faz sentido, diferente dos finais de "Jogos Mortais IV" e "Jogos Mortais V". As melhores cenas são certamente os flashbacks com John Kramer pois ele é um personagem tão fascinante que você sempre quer continuar vendo ele na tela. Já Hoffman é um personagem bem chato, assim como Willian Easton. Willian é um personagem que começa sendo um egomaníaco interessante e até meio engraçado, mas depois suas características marcantes se perdem no meio da sanguinolera do filme. Algumas explicações que deveriam ser dadas são muito antí-climax, decepcionantes e as vezes até inexistentes. Talvez eles estejam guardando algumas respostas pra dar em Jogs Mortais 7, 8, 9 ou 50, eu simplesmente não me importo mais. Até a série de "Sexta-Feira 13" me chama mais a atenção no momento porque pelo menos os caras tinham vergonha na cara e demoravam um tempo pra lançar outro filme, um novo "Jogos Mortais" sai todo halloween e podem ter certeza que em 2010 não será diferente.

O ponto final é: Se você ainda não está cansado de "Jogos Mortais" eu não vejo porque não assistir o sexto, ainda mais se você assistiu o quinto e o quarto. Se você nunca viu nenhum desses filmes eu recomendo assistir o primeiro e se você gostar muito talvez o segundo, não avance mais do que isso porque você só vai conseguir se decepcionar cada vez mais. É como uma bola de neve descendo morro abaixo que vai ficando cada vez maior e no final ela te esmaga contra a parede, mas acho que eu prefiro ser esmagado por uma bola de neve do que continuar assistindo esses filmes. E o pior de tudo é que eu vou continuar assistindo até o final, assim como eu vou fazer com "A Saga Crepúsculo - Eclipse", "Transformers 3" e remakes de filmes clássicos: Eu sei que eles não vão ser bons, que provavelmente vão ser horríveis e vão me deixar frustrado, mas eu sou viciado nisso. Eu amo ver filmes ruins quase tanto quanto eu amo ver filmes bons... E é provavelmente por isso que eu sou um crítico de cinema. Minha próxima análise vai ser uma análise sobre um filme de futebol, afinal nós estamos no meio da Copa do Mundo, e a França levou um 2 a 0 do México então essa copa não podia estar melhor. Abraços!

Nota: 4.0

Próxima análise: Maldito Futebol Clube

Os Fantasmas de Scrooge

Ufa, quanto tempo! Vou admitir aqui para meus leitores que essa demora não teve motivo nenhum, foi uma espécie de hiatus de 2 semanas das críticas. Acho que eu precisava de um pequeno período para tirar um pouco tantos filmes da minha cabeça, nesse curto tempo eu não assisti nada demais. Foram duas semanas que na TV só vi futebol, foram poucos filmes e todos assisti de forma descompromissada, sem ter muita idéia de analisá-los. Tem alguns filmes na minha lista que eu preciso ver ainda, como "Estamira", um filme que foi um pedido e até agora não tive a oportunidade de assistir. Falemos do que interessa: O filme da vez é a mais nova versão do clássico natalino de Dickens "Os Fantasmas de Scrooge". Eu só lembro de uma versão cinematográfica desse filme, uma em que os personagens originais eram trocados por personagens da Disney (o velho Scrooge era o Tio Patinhas se não me engano), mas curiosamente quando eu pesquiso encontro várias versões filmadas dessa história, e não encontro essa. A versão que mais me chamou a atenção foi um curta silencioso de 10 minutos que foi lançado em 1910, apenas oito anos depois do lançamento do curta francês de 14 minutos conhecido como "Viagem à Lua", considerado por muitos o primeiro grande filme da história. Claro que noventa e nove anos depois do primeiro curta baseado em "Os Fantasmas de Scrooge" o diretor Robert Zemeckis resolveu fazer o seu longa baseado na mesma história que continua tão fresca mesmo hoje. Zemeckis é um dos grandes diretores disponíveis em Hollywood, dirigiu grandes filmes como "A Verdade Escondida", "Forrest Gump", "Uma Cilada Para Roger Rabbit", "Contato" e, para mim, ele sempre sera visto como um dos melhores, pois ele dirigiu a melhor trilogia da história do cinema na minha opinião: "De Volta Para o Futuro".

A estrela do diretor Robert Zemeckis se encontrou com a estrela de uma verdadeira super-celebridade: Jim Carrey dubla Ebenezer Scrooge e os três fantasmas (ou seja, os quatro personagens principais). E o elenco tem ainda mais estrelas: Gary Oldman (o ator que vive Sirius Black nos filmes de Harry Potter e também esteve nos últimos filmes de Batman) e Bob Hoskins (ele fez o papel do Super Mario em um filme!). Aliás, Gary Oldman estava em "Almas Perdidas", uma das bombas que eu já análisei aqui no Blog. Então esse filme está muito bem servido quando se trata de nomes conhecidos. A história é conhecida mas eu vou dar uma pequena sinopse: Ebenezer Scrooge (Jim Carrey) é um velho rabugento, reclamão, mão de vaca e sem nenhum espírito natalino. Se recusa a dar uma folga para seu fiel empregado Bob Cratchit (Gary Oldman) ou ir na festa de natal de seu sobrinho, que apesar de tudo, se importa muito com ele. Na noite de natal Scrooge recebe uma visita do fantasma de seu antigo sócio que lha dá um aviso: Você vai receber a visita de três fantasmas. Os três fantasmas são o Fantasma do Natal Passado, o Fantasma do Natal Presente e o Fantasma do Natal Que Está Por Vir. Esses três fantasmas mostram para ele passado, presente e futuro, cada um de sua maneira, para fazê-lo voltar a ter amor no coração e voltar a ter o espírito natalino.

O grande lance desse filme é seu jeito diferente e sombrio de mostrar essa história, se você assistiu o fantástico "Coraline" você pode ter uma idéia por que "Os Fantasmas de Scrooge" é parecido (talvez não tanto quanto "Coraline"). É incrível como uma boa dose de criatividade pode tornar uma história já batida em uma história cheia de coisas novas. Uma cena que para mim resume a criatividade dos envolvidos nesse longa é a cena em que o Fantasma do Natal Presente viaja pelos lugares com Scrooge sem nem sair do lugar, é muito bem pensado a forma como tudo é feito. Todos os personagens tem uma profundidade surpreendente para uma animação que teoricamente seria para crianças. O humor do filme é praticamente inexistente, eu pelo menos não ri o filme todo, apesar de ser uma animação com ninguém menos do que Jim Carrey o humor ficou em segundo lugar, essa versão de "Os Fantasmas de Scrooge" não é assim, essa é uma versão que se leva a sério e acaba sendo realmente boa. Eu fiquei surpreso demais com esse filme que eu subestimei tanto e demorei tanto para assistir.

O ponto final é: "Os Fantasmas de Scrooge" é um ótimo acréscimo aos milhares de filmes que contam essa mesma história, mas sempre de formas diferentes. E também é um ótimo acréscimo para todos os filmes de natal e para os filmes dirigidos por Zemeckis. É bem legal ver nos dias de hoje uma animação que da tanto o que falar ao final. Com "Os Fantasmas de Scrooge" é diversão descompromissada e que se você deixar pode muito bem te deixar de boca aberta. Perto do fraquíssimo "Alice no País das Maravilhas" é uma ótima pedida. E não, esse eu não vi em 3D.

Nota: 8.0

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Alice no País das Maravilhas

Na minha crítica de "Passageiros" eu afirmei que certamente "Alice no País das Maravilhas" de Tim Burton seria melhor do que o próprio "Passageiros", hoje depois de assistir no cinema "Alice no País das Maravilhas" em 3D posso dizer que eu estava certo, "Alice" é melhor do que "Passageiros"... Mas isso não é dizer muita coisa! Isso é como dizer que o lixo que eu tirei ontem a noite foi melhor do que o lixo que eu tirei no dia anterior! É incrível como um diretor talentoso de grandes filmes como "Batman" (1989), "Ed Wood" (1994) e "Sweeney Todd" (2007) consegue fazer filmes tão ruins quanto esse remake completamente desnecessário! Aliás, Tim Burton gosta de fazer remakes inúteis que são desastres de crítica não? "O Planeta dos Macacos", "A Fantástica Fábrica de Chocolate" e agora "Alice no País das Maravilhas". Vi no site www.cinemassacre.com James Rolfe, um crítico e cineasta americano que eu respeito muito, a seguinte pergunta: Qual vai ser o próximo remake de Tim Burton? "O Mágico de Oz"? E pensando bem, acho que é bem possível. Porque Burton não se mantém fazendo os seus filmes? Tudo que tiver o nome dele vai render muito dinheiro, então pra que fazer tantos remakes desnecessários?

A trama do filme gira em torno de Alice (Mia Wasikowska), uma menina que anda preocupada e confusa com um sonho que ela sempre têm, sempre igual. Além disso a menina de 19 anos ainda tem que lidar com a recente morte de seu pai que ela tanto amava. Em uma festa ela vê um coelho branco com um relógio e resolve seguí-lo (Será que ela tomará a pílula vermelha ou a azul?). Seguindo o coelho ela acaba caindo em um buraco e esse buraco da no "País das Maravilhas", ou melhor, "País Subterrâneo" (Tim Burton achou melhor mudar o nome por algum motivo). Lá ela é recebida pelo Coelho Branco, por uma rata e por Tweedledee e Tweedledum, aliás esses dois perderam todas as características engraçadas deles nessa versão. Alice acredita ser tudo um sonho e descobre que o País Subterrâneo esta em uma espécie de guerra civil. O lado malvado é comandado pela Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter, a Bellatrix de "Harry Potter") e o lado bonzinho é comandado pela Rainha Branca (Anne Hathaway). Em meio a suas aventuras Alice encontra basicamente todos os personagens clássicos do livro e dos filmes originais, mas o de maior destaque é certamente O Chapeleiro Maluco (Johnny Depp), que graças a atuação de Depp é o melhor personagem do filme. Algumas pessoas dizem estar cansadas de ver Johnny Depp trabalhando nos filmes de Tim Burton, mas eu acho que um diretor tem que trabalhar com quem ele se sente confortável, e Depp e Burton são melhores amigos.

"Alice no País das Maravilhas" tem grandes trunfos como seu elenco impecável e seus efeitos especiais fantásticos que em 3D ficam melhores ainda, então porque esse filme é tão ruim? Porque é completamente estúpido! Várias cenas chaves do filme não fazem sentido, eu sei que eles estão no País Subterrâneo e lá nada faz sentido, mas quando você estabelece todas as habilidades de seus personagens você não pode simplesmente inventar novas habilidades só para eles saírem de situações impossíveis, isso é simples, até os desenhos de Pokemon tinham isso. Os personagens são um bando de idiotas que simplesmente não pensam: O Gato Sorridente têm os poderes de ficar invísivel, ficar intrasponível e se solidificar quando ele quiser, porque então ele não invade o castelo da Rainha Vermelha, sem ser visto por ninguém, e mata ela ou captura ela de surpresa? Pra se ter uma idéia tem um cena que ele invade sem nenhum problema o castelo dela mas simplesmente não passa pela cabeça dele que ele pode fazer isso. A personagem de Alice é chata e não tem nada de carisma. Toda trama do filme é clichê e algumas cenas são tão estúpidas e previsíveis que chegam a ser um insulto a sua inteligência. Mas olhando pelo lado bom Alice consegue arrancar algumas risadas sinceras, o humor do filme foi muito bem colocado.

O ponto final é: "Alice no País das Maravilhas" é surpreendentemente chato e estúpido. É um filme burro, sem nenhuma idéia original ou que valha pena assistir. Todas as atuações são boas e os efeitos até que são bem legais mas isso não é o suficiente para salvar o filme. Acho que usei nessa análise muitas vezes a palavra "estúpido" mas é porque realmente essa palavra resume esse fiasco de Tim Burton. É uma besteirada aleatória com muito dinheiro, um nome conhecido, grandes atores e um grande diretor. Depois de todo o hype que esse filme criou essa foi uma conclusão desanimadora. É só mais um filme que entra para a cada vez mais extensa lista de remakes horríveis. Depois de analisar esse filme baseado em um conto de Lewis Carrol vou analisar um filme baseado em um conto de Charles Dickens. Até lá. 

Nota: 2.0

Alice-in-Wonderland-tim-burton-movi.jpg image by SlipTripJack

Próxima análise: Os Fantasmas de Scrooge

Contatos de 4º Grau

Mais uma vez estou atrasado, vou tentar fazer uma crítica no fim-de-semana para compensar. Talvez você não tenha ouvido falar, e eu não te culpo se tu não ouviu falar, mas junto com o mega-sucesso "Atividade Paranormal" saiu um outro filme, um outro filme que teoricamente era nos mesmos moldes, como se fossem filmes irmãos, tem até uma história de que os diretores desses dois filmes são amigos, não sei se é verdade. O filme considerado o irmão de "Atividade Paranormal" é "Contatos de 4º Grau". A idéia que tentou vender é que esse filme era como "Atividade Paranormal" só que com aliens ao invés de fantasmas mas depois de assistir fica óbvio que foi só jogada de marketing. "Contatos de 4º Grau" tem uma idéia bem diferente de "Atividade Paranormal" e nem as caraterísticas de filmagem são semelhantes. Então ir esperando assistir um filme com a qualidade e com a simplicidade genial de "Atividade Paranormal" e assistir a um filme medíocre e burro como esse realmente deve irritar as pessoas, isso eu acho que explica as notas horríveis que "Contatos de 4º Grau" recebeu da crítica mundial em geral, mas eu acho que esse filme tentou algo novo e exatamente por isso foi tão ruim, foi uma idéia idiota, mas nova, isso pelo menos é alguma coisa. O filme de Olatunde Osunsanmi é ruim, mas por um motivo bom.

A premissa do filme (e um dos grandes problemas) é de que tudo isso é verdade, aconteceu em Nome no Alaska. Então o filme abre com a atriz Milla Jovovich (eu odeio essa mulher, acho que eu só vi filmes ruins com ela, destaco a trilogia "Resident Evil") dizendo que ela é uma atriz profissional, o que já é difícil de acredtar, e que ela vai estar atuando em simulações de acontecimentos reais envolvendo abduções. Essa cena entrega tudo, esse filme é como se fosse um episódio de "Linha Direta" sobre coisas que não aconteceram, e todos nós sabemos que "Linha Direta" era um lixo. Então nós mudamos para uma entrevista da Universidade Chapman com a psiquiatra Dr. Abigail "Abbey" Tyler. O filme nos diz que Abbey é uma pessoa verdadeira mas eu sei que ela é fictícia, tu sabe que ela é fictícia, todos sabemos que ela é fictícia. O marido dela teria sido morto de uma maneira misteriosa deixando ela para criar seus filhos sozinha. Abbey começa a atender vários paciente e todos eles dizem que vêem a noite uma coruja branca, eles tentam afugentâ-la mas ela não vai embora, e eles nunca se lembram de suas noites. Para faze-los lembrar Abbey tenta a prática da hipnose, e esse pra mim é o maior problema, o filme trata hipnose como se fosse uma ciencia exata e sempre, SEMPRE desse certo. Eu aceitaria isso em um filme de aliens, mas eles dizem que isso é real e usam no meio das cenas imagens "reais" para "provar" que é verdade, isso mata o filme pra mim.

E o filme é só isso, sem brincadeira, o filme todo é a atriz Milla Jovovich nas suas "simulações" indo atrás de outras pessoas e hipnotizando elas para ver se descobre mais sobre esses aliens. Então sempre que alguém se lembra ele fica aterrorizado demais para falar sobre aquilo e então eles vão hipnotizar outra pessoa em busca de respostas. O filme todo eu não consegui engolir o conceito de "semi-documentário" que o filme tentava vender, quem achou que isso era uma boa idéia? Toda cena mais tensa tu fica pensando "Isso não está acontecendo, é só uma simulação", as atuações são dignas de risadas, não só as dos atores das simulações como as atuações das "pessoas reais" do filme. Tu tem que ser muito tapado para acreditar que o que eles falam é verdade, uma simples pesquisa na internet prova que não é verdade. As duas informações iniciais são verdadeiras: A cidade de Nome realmente teve uma época com vários desaparecimentos, alguns que não foram resolvidos, e o FBI visitou essa cidade frequentemente. Mas o resto é uma simples teoria, uma teoria de que esses desaparecimentos são obras de aliens que abuziram essas pessoas.

O ponto final é: "Contatos de 4º Grau" é não só um filme ruim, como é também um filme que te trata feito um idiota, mas por mais que eu odeie dizer isso, eu me diverti, talvez de tanta estupidez em um filme só, mas eu me diverti. Nos créditos do filme, em uma última tentativa de chocar as pessoas, eles colocam o que seriam gravações reais de pessoas ligando para a polícia e dizendo que viram OVNIS, e o feitiço realmente se vira contra o feiticeiro nesse caso, pois nessas "gravações reais" cada pessoa diz uma coisa: Um diz que viu um quadrado flutuante, outro que viu um disco voador, outro que viu várias luzes sobrevoando, etc. A incostância dessas afirmações pode muito bem servir para alguém provar que OVNIS não existem. O universo é imenso, eu acredito que possa haver vida fora da terra, mas eu não acredito em uma simples palavra desse filme, incluindo os momentos que eles dizem que Milla Jovovich é uma atriz.

Nota: 4.0

Próxima análise: Alice no País das Maravilhas

PS: Gostaram do novo Layout? Todo crédito vai para a Dud's do Red Behavior, valeu amiga. Já o logo foi feito pelo meu primo Daniel Mazzuca, valeu cara.

PS2: Por um curto periodo de tempo não vai ter como acessar os Blogs relacionados, peço para o pessoal do Padua principalmente terem um pouco de paciência. Abraços!

Ta Rindo do Quê?

Filmes com Adam Sandler costumam certa discórdia entre os críticos, por enquanto que alguns pensam que o filme é hilário outros pensam que são filmes bem abaixo da média. Eu por enquanto que achei "Tratamento de Choque" bom achei "Zohan - Um Agente Bom de Corte" e "Click" sofríveis. Como sempre, é uma questão de opinião. Mas o grande trunfo desse filme não é Adam Sandler, mas sim Judd Apatow, o diretor de "O Virgem de Quarenta Anos" e "Ligeiramente Grávidos". Judd Apatow é considerado por muitos o melhor diretor de comédias da atualidade, e em "Ta Rindo do Quê?" Judd trabalha com o comediante mais discutido dos últimos anos, Adam Sandler. Apesar de ser um filme que chamou muita atenção em todo o mundo eu não me lembro de "Ta Rindo do Quê?" ter saído no cinema aqui no Brasil, eu só fui encotra-lo na locadora alguns meses depois de seu lançamento nos Estados Unidos. O interessante é que se você espera um filme que é pura comédia "Ta Rindo do Quê?" não é para você, esse é um filme que chega a ser mais forte no drama do que na comédia. Judd Apatow disse que esse seria seu filme mais sério e mais engraçado também: Definitivamente foi o mais sério, mas de forma alguma foi o mais engraçado.

A história gira em torno de George Simmons (Adam Sandler) um comediante e ator que tem muito sucesso na vida. O personagem de Adam Sandler pode até ser comparado com o próprio ator nesse sentido, logo no início do filme você vê George distribuindo autógrafos para fãs então você pode comparar George Simmons com Adam Sandler nesse aspecto. Apesar de todo seu sucesso George é um cara muito reservado, solitário e afastado de sua família por sua própria escolha. Numa ida ao médico George descobre que está com uma doença terminal e sua única chance é um tratamento experimental que tem apenas 8% de chances de funcionar, sem nada a perder George começa o tratamento. Simmons fica deprimido e começa a assistir gravações de seus primeiros shows de stand up comedy e acaba decidindo voltar as origens fazendo novos shows de stand up. George aparece de surpresa no antigo clube em que se apresentou pela primeira vez, onde ainda novos comediantes se apresentam, e pede para se apresentar. Simmons se apresenta por enquanto que Ira Wright (Seth Rogen), um comediante iniciante e desconhecido, acaba ficando para depois dele. George faz uma apresentação mórbida, deprimente e sem arrancar risadas e acaba saindo do palco ainda mais deprimido, prestes a sair do lugar George ainda assiste a apresentação de Ira que fica basicamente a apresentação toda tirando sarro de George. Apesar de ter se irritado com Ira George vê talento no jovem comediante e por isso o chama para escrever piadas para ele, logo Ira se torna assistente de George e entre os dois cresce uma realação de confiança e amizade.

Como se o elenco com Adam Sandler e Seth Rogen já não fosse estrelado o suficiente "Ta Rindo do Quê?" ainda tem pequenas aparições de várias celebridades: Os comediantes Dave Attell, Sarah Silverman, Norm MacDonald, Paul Reiser, Charles Fleischer, George Wallace, Andy Dick e Ray Romano aparecem no filme como eles mesmos sendo amigos de George Simmons. Ainda o rapper Eminem e o cantor James Taylor aparecem também como eles mesmos, os dois fazem duas das partes mais engraçadas do filme. E ainda tem mais famosos no filme e várias curiosidades que se eu fosse mencionar eu dedicaria um parágrafo inteiro apenas para isso. Uma grande reclamação que eu podia fazer é que os personagens principais não são muito carismáticos, mas pensando bem eu acho que Apatow não queria faze-los carismáticos. George Simmons é um cara rabugento que pensa sempre primeiro em si mesmo, não se importa muito com os sentimentos dos outros e tem um humor realmente amargo. Já Ira Wright é um cara muito mais ético e amigo do que George e muito menos frio, mas tirando os momentos que Ira está fazendo stand up comedy ele é realmente chato e até um pouco irritante. Falando nos momentos de stand up, esses são os momentos mais engraçados do filme, se você é fã desse tipo de comédia esse filme certamente vai fazer você rir. Pena que em certos momentos não só o drama como a comédia também parecem forçados e o filme tem cenas desnecessárias e personagens desnecessários que são bem chatos.

O ponto final é: "Ta Rindo do Quê?" É um filme bom, mas não é nada demais. É aceitável e divertido. É um filme que não sabe muito bem se é uma comédia ou um drama. No fim acaba sendo um drama cheio de comediantes e sobre comediantes. Algumas piadas são bastante engraçadas mas muitas vezes elas não tem o efeito desejado. Como dito antes as cenas de stand up são as partes mais legais do filme, é realmente o que te mantém rindo. E "Ta Rindo do Quê?" pode também ser visto um pouco como uma lição de vida mostrando que nem tudo na vida são só risadas, até a vida dos homens engraçados tem suas tristezas, e aquela mensagem que nunca fica velha também está aqui: Seja feliz.

Nota: 6.5

Próxima análise: Contatos de 4º Grau

PS: Desculpem o atraso, próxima crítica sai semana que vem normalmente.

Muito azar e muita frustração

Por motivos técnicos fui escrever a crítica do filme "Preciosa - Uma História de Esperança" sem poder fazer backup... E bem, digamos que hoje não é o meu dia... Acabei a crítica e tudo estava indo bem até que cliquei em "publicar". Deu um erro no site do UOL e no fim das contas perdi os quatro paragráfos que eu tinha demorado 2 horas e meia para acabar, pode parecer um tempo excessivo mas esse é o tempo que normalmente me leva para bolar, escrever e revisar a crítica inteira, que normalmente é composta por esses quatro parágrafos. Frustrado e bastante irritado eu me acalmei e re-comecei a escrever, logo após acabar a nova crítica, nó momento que fui pegar a imagem da capa do filme com o título original nela, como sempre faço, faltou luz apagando tudo que eu tinha escrito, e a luz voltou meio segundo depois... Sem exageros.

Apesar de eu não ser um profissional eu sempre tento trabalhar aqui no blog da forma mais profissional o possível, sempre postando uma crítica por semana e tentando deixá-las o melhor possível, sempre falando o que penso e deixando clara a minha opinião, arrumando tempo para ver filmes e analisar eles e escrever as críticas, e isso é sempre muito divertido, mas infelizmente eu não tenho paciência para escrever uma terceira análise de "Preciosa - Uma História de Esperança", se fosse um filme que eu tivesse odiado ou amado talvez eu até tivesse mas "Preciosa" foi um daqueles filmes que eu achei bem medianos. Então peço desculpas a todos os meus leitores mas eu vou só dar uma mini análise de "Preciosa" e na próxima semana vou postar um crítica de verdade para outro filme.

Preciosa - Uma História de Esperança (mini-análise)

Preciosa é um filme sobre uma adolescente negra de 16 anos obesa, analfabeta e pobre que tem a vida mudada quando vai para uma outra escola onde ela realmente começa a aprender as coisas e se interessar pelos estudos. Preciosa tem um filho com Síndrome de Down que é fruto de um estupro cometido pelo seu próprio pai, e agora está gravída de novo de outro filho do pai. Sua mãe torna a vida de Preciosa cada vez mais um inferno abusando da filha mentalmente e fisicamente. O filme tem uma direção sem nenhuma sutileza que eu não gostei nem um pouco e algumas cenas realmente desnecessárias e estúpidas e isso contrasta com as fortes atuações de Mo'Nique e Gabourey Sidibe. Uma curiosidade é que Mariah Carrey e Lenny Kravitz estão no filme, e os dois fazem atuações surpreendentemente aceitáveis. Preciosa é um filme de dramalhão mediano, mas no fim das contas não é ruim... Mas não chega nem perto de ser tão bom quanto as suas seis indicações ao Oscar fazem ele parecer ser.

Nota: 6.0

Próxima análise: Ta Rindo Do Quê?

Atividade Paranormal

Qual o momento dos seus dias que você está mais vulnerável? Provavelmente é quando nós estamos dormindo. Você nunca apagou as luzes a noite, se deitou, fechou os olhos e ficou receoso com o que está a sua volta? Esse é o grande trunfo de "Atividade Paranormal", a certeza que com mais ou menos intensidade esse filme vai voltar pra te assombrar na hora de dormir. Esse filme junta a vulnerabilidade de quando você está dormindo (já usada na série "A Hora do Pesadelo") com a idéia de "A Bruxa de Blair" de fazer tudo parecer amador e real. Aliás, "Atividade Paranormal" vai mais longe do que "A Bruxa de Blair" para fazer você achar que tudo o que acontece aqui é real. Os nomes dos personagens são os nomes dos atores também: A atriz Katie Featherston faz o papel de Katie e o ator Micah Sloat faz o papel de Micah. Tudo é filmado com uma câmera só como em "A Bruxa de Blair", "The Last Broadcast", "Cloverfield", "[REC]" e "O Diário dos Mortos", mas diferentemente de todos esses, a câmera não treme muito e nem balança demais, e essa é a maior reclamação das pessoas que não gostam da idéia da câmera amadora. Pelo menos no cinema o filme não teve créditos, a capa do filme não é nada muito elaborado e o trailer era bastante diferente do tipo de trailer que nós estamos acostumados a assistir, tudo isso apenas para aumentar a idéia de que tudo que acontece no filme é real. Nós estamos diante de um filme histórico não só no gênero de terror mas para todo o cinema, um dos filmes que mais lucrou em toda a história (custou $15,000 e rendeu $192,735,402) e um sopro de ar fresco no meio da mesmice dos atuais filmes de terror.

A trama é bastante simples: Katie mora junto com seu namorado Micah como qualquer casal normal. Ela começa a fazer queixas para o marido de que está sendo atormentada por uma presença que seguia ela desde que ela havia nascido. Katie chama um paranormal chamado Dr. Fredrichs (Mark Fredrichs) para ver se ele afugenta o ser mas, ao invés disso, Fredrichs diz para o casal que ela está sendo atormentada por um demônio e não por um fantasma, ele da o número de um especialista em demônios e diz para chamarem ele. Micah resolve cuidar do problema ele mesmo então toda noite, que é quando os acontecimentos paranormais acontecem, enquanto eles dormem, Micah instala sua câmera em um tripé para gravar tudo que acontece por enquanto que eles dormem. E é basicamente isso, a presença do demônio vai se fazendo cada vez mais forte com o passar do filme. Por enquanto que Katie quer só se livrar do demônio o quanto antes Micah fica interessado em gravar as coisas paranormais que acontecem sempre adiando que eles chamem o especialista em demônios. O filme se divide em ver as coisas que acontecem a noite e depois ver as reações dos personagens e as consequências no outro dia. Da para se dizer que Micah e o demônio acabam meio que criando uma certa rivalidade pois ao invés de mostrar medo desse ser Micah mostra raiva, e em vários pontos eles dizem que a câmera provoca o demônio ainda mais. Quem insiste em continuar gravando é Micah e Katie acaba sempre indo na dele.

Apesar de todas suas grandes qualidades "Atividade Paranormal" tem falhas, falhas não tão pequenas. Os diálogos do filme não são grande coisa e isso devido a um simples motivo: Os personagens não convencem. Primeiro de tudo, por mais que eles saibam que o demônio segue Katie onde ela for e que o que está acontecendo não tem nada a ver com a casa onde eles estão eu me questiono se eles continuariam lá mesmo assim. Os personagens nunca entram em pânico, é tipo: "Ah que saco, tem um demônio me puxando pela porta quando eu durmo, sacanagem." Ninguém levaria isso da forma como eles levam. Depois eles não conseguem contatar o especialista em demônios e simplesmente desistem de conseguir ajuda, você realmente acha que o casal ia simplesmente parar de procurar ajuda por causa disso? Mas a maior falha de todas: ELES CONTINUAM INDO DORMIR! Tu ta me dizendo que tu não consegue ficar uma noite sem dormir? Se isso fosse um pouco mais realista Micah e Katie iam começar a se entupir de café na metade do filme. Até em "A Hora do Pesadelo" os personagens ficavam noites sem dormir, eu não sou o tipo de pessoa que consegue passar muito tempo sem dormir mas, se fosse para salvar minha vida, as chances são que eu ia fazer um "certo esforço" para me manter acordado. E sim eu sei que eles sabem que o ser vai continuar atacando eles mesmo eles estando acordados, mas como dito antes, dormindo você está muito mais vulnerável. Ou seja a história tem alguns furos bem grandes.

O ponto final é: "Atividade Paranormal" é um grande filme de terror que pode te entreter até o seu final. Aliás, eu já soube de mais de três finais diferentes. Não são nem finais alternativos: Eu vi no cinema e teve um final. Minha irma viu no DVD e teve outro final. Um amigo meu baixou da internet e teve um outro final. Quantos finais será que tem? Qual será o oficial? Eu imagino que o final oficial seja aquele que eu assisti pois foi no cinema mas eu não tenho como ter certeza. Isso talvez seja outra idéia dos criadores: O filme é tão doido que cada um vê um final diferente. No fim das contas "Atividade Paranormal" prova que, como dizia Glauber Rocha, para se fazer um grande filme se precisa apenas de "uma câmera na mão e uma idéia na cabeça".

Nota: 8.5

Próxima análise: Preciosa - Uma História de Esperança

Guerra ao Terror

Eu tive a oportunidade de assistir o glorioso vencedor do Oscar de Melhor Filme antes do que eu mesmo esperava, no fim das contas achei na minha locadora de fé me esperando em uma estante de destaque. Minha conclusão após assistir o filme? É bom... Nada mais. Dos seis Oscars que "Guerra ao Terror" ganhou um deles foi bem merecido: Melhor Direção. Sim, eu tenho que novamente mudar de opinião nesse quesito: Quando eu fiz o Oscar do Acuzzam eu ainda não tinha assistido "Avatar" nem "Guerra ao Terror", portanto o Oscar do Acuzzam de Melhor Direção foi para Sam Raimi por "Arraste-me Para o Inferno", depois eu disse que James Cameron por "Avatar" era quem realmente merecia o meu prêmio. Agora sou obrigado a mudar de novo: Kathryn Bigelow, a primeira mulher a ganhar o Oscar de Melhor Direção, também ganhou o Oscar do Acuzzam de Melhor Direção (que vamos combinar, é um prêmio muito maior que o Oscar). A direção de Kathryn é perfeita se esse filme ganhou tanta coisa é basicamente por causa dela. E mesmo com uma diretora tão competente "Guerra ao Terror", para mim, não está nem entre os cinco melhores filmes de 2009.

O filme começa com uma frase de Chris Hedges, autor do livro americano "War Is a Force That Gives Us Meaning" que eu não sei se chegou a sair no Brasil. A frase é algo como: "A emoção da batalha é um vicío potente e muitas vezes letal, pois a guerra é uma droga." É uma frase, em todo seu direito, genial. Assim como uma droga a guerra pode te viciar e eventualmente te levar a morte. E é isso que o filme tenta nos mostrar. Nosso personagem principal é um veterano de guerra, o Sargento William James (Jeremy Renner), que vai para o Iraque em 2004, no período de pós-invasão do país. Ele vai para lá para substituir o Sargento Thompson (Guy Pearce), que morre no início do filme. William James é o líder do grupo anti-bombas que ainda conta com o Sargento J. T. Sanborn (Anthony Mackie) e o Especialista Owen Eldridge (Brian Geraghty). O trabalho de William James é desarmar as bombas por enquanto que usa aquelas roupas super pesadas que protegem o corpo inteiro do soldado, o tipo de roupa que não se usa em combate por ser muito pesada. J. T. Sanborn e Owen Eldridge tem o trabalho de dar cobertura a William com seus rifles e também de se comunicar com ele pelo rádio quando necessário. William James tem métodos diferentes dos seus dois companheiros, então no início William não se da muito bem com seus colegas, mas com o andamento do filme novos problemas muito mais sérios vão surgindo.

Tecnicamente é difícil achar erros em "Guerra ao Terror": A trilha sonora é fantástica, a plasticidade das cenas é incrível e a montagem é muito bem feita. Já a história: "Guerra ao Terror" aposta mais no suspense do que na ação. Você não assistirá a grandes cenas de tiroteio, as cenas de ação são muito mais focadas nos sentimentos e preparações dos protagonistas. Por exemplo: A melhor cena do filme é uma cena em que o grupo fica pelo que parece ser horas esperando o erro de um grupo inimigo para poder acertar um tiro de forma limpa, nada de metralhadoras e coisas assim, o foco é na calma e paciência que o atirador tem que ter para sair vivo dessa situação. Nós ainda acompanhamos o drama dos soldados que estão a poucos dias de voltarem para suas casas. Porém existem alguns problemas em "Guerra ao Terror": Em certo ponto o filme pode se tornar chato e repetitivo, em alguns momentos parece que o filme está só querendo se prolongar mais e mais. Mas o maior problema para mim é que outros filmes já fizeram o que esse filme faz, e fizeram melhor. Eu não gosto do jeito americanizado de se ver as coisas desse filme, eu não gosto de várias idéias e valores presentes nele. Em alguns momentos o filme é confuso e você não se liga a nenhum dos personagens principais. No fim "Guerra ao Terror" é um grande filme, com cara de "filme do Oscar", que vai te entreter, mas de forma alguma vai causar um impacto muito maior do que a frase do início do filme.

O ponto final é: Por enquanto que "Guerra ao Terror" é um bom filme ele ainda assim não me toca da forma como deveria e como ele queria. Os personagens são imediatamente esquecíveis e algumas cenas só enchem linguiça e não fazem sentido na trama. Outra coisa que trabalha contra o filme é a falta de realismo, isso de acordo com os próprios veteranos. Para um leigo no assunto como eu o filme parece sim bem realista, mas para os caras que realmente passaram pela guerra o filme é como um conto de fadas. No fim das contas você não pode reproduzir tudo com total fidelidade e isso pode nos deixar uma certa sensação de vazio. Ao invés de torcer por esses personagens prefiro torcer para que essa guerra acabe logo e a única guerra que continue seja a guerra de filmes entre James Cameron e sua ex-mulher Kathryn Bigelow, nessa guerra entre dois grandes diretores são só os cinéfilos que ganham.

Nota: 7.5

PS: Para quem quiser me seguir no Twitter: www.twitter.com/mazzuca5

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O Segredo Dos Seus Olhos

Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estangeiro de 2009, "O Segredo Dos Seus Olhos" é um filmaço argentino que, assim como "Cidade de Deus" fez, nos obriga a olhar melhor para o cinema sul-americano. Já que a mídia não foca muito nos nossos filmes imaginem quantos grandes filmes podem ter passado reto por nós. O Oscar não é coisa nova para o diretor Juan José Campanella, ele já tinha concorrido antes, sem vencer, pelo filme "O Filho da Noiva", que eu confesso que ainda não assisti. Eu me questiono agora: "Se 'O Segredo Dos Seus Olhos' fosse um filme americano será que não teria concorrido ao Oscar de Melhor Filme?" E a resposta é que provavelmente sim. Não só teria concorrido como estaria junto com "Avatar", "Guerra ao Terror" e "Preciosa" entre os favoritos. O único filme de 2009 que eu considero melhor do que esse filme argentino é "Bastardos Inglórios" de Quentin Tarantino.

O filme conta a história de Benjamín Espósito (Ricardo Darín), um policial que trabalhou a vida toda em um tribunal penal. No presente Benjamín já está aposentado e volta para a cidade onde trabalhava. Lá ele resolve escrever um romance sobre o caso mais importante de sua carreira: Em 1974 uma moça fora estuprada e morta. Então, sim, o filme se passa em Flashback. Espósito investiga o caso com seu amigo alcoólotra Pablo Sandoval (Guillermo Francella) e com a mulher que ele ama secretamente Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil). E é só isso... A primeira vista pode parecer clichê e estúpido, mas a medida que o enredo segue e vai te sugando você vê que essa história e muito melhor do que aparenta. A busca pelo assassino é realmente inquietante pois de todas as formas parece que os personagens estão de mãos atadas. O que a polícia faz para encontrar um cara que simplesmente sumiu? O que fazer quando o sistema de justiça falha com você? São questões antigas, que nunca serão respondidas, que são abordadas nesse filme.

O que mais chama atenção é que toda santa cena desse filme é memorável. É como em "Drácula" (1931) com Bela Lugosi, toda cena te marca e no fim você consegue contar detalhadamente o que aconteceu durante todo o filme. Ok, talvez não seja tanto quanto "Drácula" mas chega muito perto. Ainda tentando comparar dois filmes que não tem quase nada em comum: A atuação de Bela Lugosi pode ser comparada com a de Ricardo Dárin como uma atuação extremamente competente e com olhares penetrantes (os dois são mestres na arte de... Ã... Olhar!?!), mas assim como em "Drácula" um ator rouba o show. O ator que faz Van Helsing (Edward Van Sloan). Em "O Segredo Dos Seus Olhos" é Guillermo Francella como Pablo Sandoval que rouba o show. O personagem de Francella é tão carismático que vai fazer você rir muito e depois sentir vontade de chorar (a cena mais triste, na minha opinião, envolve ele). E um recado para os amigões do Padua Blogsport, o futebol faz parte essencial da trama do filme e é um elemento chave da história.

O ponto final é: "O Segredo Dos Seus Olhos" é um filmaço imperdível. Alguns jornalistas brasileiros irados criticaram o Oscar por esse ser o segundo filme argentino a receber um Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por enquanto que nenhum brasileiro ganhou. Eu entendo que exista a velha rivalidade entre brasileiros e argentinos, e entendo que o povo brasileiro tenha preso na garganta o fato de que "Cidade de Deus", um filme superior a "O Segredo Dos Seus Olhos" na minha opinião, não tenha ganho o Oscar. Ou ainda o fato de "Tropa de Elite" não ter sido nem indicado, mas "O Segredo Dos Seus Olhos" mereceu esse prêmio, e quanto a rixa entre brasileiros e argentinos, eu prefiro que fique só no futebol, se eles continuarem fazendo filmes assim nós teríamos problemas. 

Nota: 9.5

Próxima análise: Guerra ao Terror

Michael Jackson - This is It

Esse é um filme que vai me assombrar pelo resto da minha vida. "Michael Jackson - This is It" não é um documentário sobre o rei do pop mas sim sobre seus últimos dias, eu estou falando sério. Todo o filme é composto pelas filmagens dos ensaios para o show "This is It" que seria o show que marcaria o fim da carreira do músico que tragicamente acabou antes mesmo desses shows começarem. O filme nem mesmo menciona a morte de Michael como também não menciona a vida. São literalmente um monte de filmagens jogadas uma em cima das outras. É meio perturbador ver Michael Jackson desse ângulo, nenhum fã deveria ver seu ídolo dessa forma. Aqui Michael Jackson está no fim da vida, e isso me deixou desconfortável o filme todo. Ele ensaia sem muito entusiasmo, parece deprimido, o diretor Kenny Ortega trata ele como se ele fosse de vidro e pudesse quebrar a qualquer momento. E no fim das contas quem lucrou com esse filme é o próprio Ortega: Já que não vai dar pra ganhar dinheiro com o show que tal ganhar dinheiro com o filme? O sentimento de pena não sumiu durante todo o filme, ainda mais que ele foi lançado muito cedo, Michael tinha acabado de morrer, ao invés de esperarem para lançar um documentário realmente completo, triunfal, que não focasse nos ensaios antes da morte mas sim na vida dele, foi decidido lançar esse filme agoniante que é "This is It" logo após a morte dele, afinal até quem não gosta de Michael Jackson foi ver pois logo após a morte dele veio essa Michael Jackson Mania que só está começando a esfriar agora. Então lançar um documentário de qualquer jeito, sem fazer muito esforço, logo depois da morte dele, rendeu muito mais dinheiro do que se esforçar e lançar daqui a uns dois três anos. O material de "This is It" deveria ser apenas parte dos extras do verdadeiro filme.

Como fã eu não queria ver apenas ensaios de shows que nunca vão acontecer, claro que é interessante, mas o filme ser apenas isso o torna não só uma experiência entediante como também uma grande perda de tempo. Tu nunca sabe o que está passando na cabeça de Michael, aliás, ele mais parece uma espécie de coadjuvante do que a total estrela do filme, não que outra pessoa pareça o personagem principal. Sabe aquela sensação quando você está com um grupo e todos começam a falar sobre um assunto do qual você não tem a mínima idéia sobre o que é ou sobre como entrar no assunto? E no fim você só fica parado ouvindo esperando que eles troquem de assunto? "This is It" é basicamente isso. Você não faz parte daquilo que você está vendo, você não deveria estar ali, você quase se sente como se estivesse invadindo a privacidade de alguém. É claro que o filme tenta se vender como uma homenagem ao cantor, mas não é, são só imagens, e essas imagens não falam por si mesmas. Nem tem como saber se essas imagens faziam muita diferença para o próprio Michael Jackson. Honestamente, para mim as pessoas que fizeram esse filme simplesmente não entendem. Eu não sei se Ortega realmente estava apenas atrás de mais dinheiro, talvez ele achasse que fosse uma boa idéia, mas no fim das contas "This is It" é um grande fracasso como filme e como homenagem. 

O filme começa com o ensaio de músicas como "Wanna Be Startin' Somethin" (sim, se escreve assim) e nesse número Michael canta uma parte de "Spechless" a capella. Depois a música é "Jam" ainda com uma pequena parte de "Another Part of Me", apesar de boas as músicas a melhor parte desses momentos são as sequências de dança. Michael faz a perfomance de "The Drill" com pequenas partes de "Bad" e "Mind is the Magic". Michael ainda canta a música cujo o clipe foi gravado no Brasil, "They Don't Really Care About Us". A primeira música mais completa cantada é "Human Nature", mas as coisas ficam mais interessantes quando Michael canta e dança "Smooth Criminal", minha música favorita dele: Michael aparece em um clipe do filme de 1946 "Gilda" onde ele foi digitalmente colocado e a música "Put the Blame on Mame" da trilha sonora do filme também é tocada. O som animado de "The Way You Make Me Feel" toca depois mas infelizmente sem empolgar muito pois falta o segundo verso. Michael faz uma espécie de homenagem aos dias de Jackson 5 (sua antiga banda) e canta três músicas do grupo: "I Want You Back", "The Love You Save" e "I'll Be There". "Shake Your Body (Down To The Ground)" é tocada com uma pequena parte de "Don't Stop 'til You Get Enough" mas Michael só aparece no fim do número. Depois, num dos poucos momentos empolgantes, Michael Jackson faz um dueto com Judith Hill em "I Just Can't Stop Loving You". Logo vem "Thriller", que deveria ser dos melhores ensaios, mas infelizmente a coisa não anda, as pequenas partes de "Threatened" e "Ghosts - Underscore" junto são meio chatas e o novo clipe da música, em 3D, apesar de ser interessante, ele diminui a velocidade da música deixando-a mais chata que o normal. "Beat It" é tocada meio por fora sem o segundo verso assim como "Black or White". O provável melhor momento do filme vem quando Michael Jackson canta "Earth Song" sozinho no palco, ele não corta a música e acaba sendo realmente bonito o ensaio, gostaria muito de ter visto em um verdadeiro show. Ainda tem uma perfomance da famosa "Billie Jean" extendida e o último ensaio é da música "Man In The Mirror" (Acho que ele morreu antes de ensaiar "You Are Not Alone" e "Dangerous"). A música "This is It" só é tocada nos créditos finais, assim como "Heal The World".

O ponto final é: "Michael Jackson - This is It" é decepcionante. Não que não seja interessante ver como seriam os shows e ver esses ensaios em um pouco mais de detalhes. Para os fãs talvez até seja, de certa forma, bom. Mas eu, que me considero um fã, não um fã hardcore, mas um fã, achei entediante, desconfortável, incompleto e talvez até um pouco desrespeitoso. Eu não sei muito bem o que dizer, quem sou eu pra falar como seria melhor? Só estou falando o que realmente aconteceu: O filme não só não me entreteu como também me deixou triste. Talvez eu devesse focar mais nas coisas que são interessantes ou talvez analisar esse filme sem pensar nos fatores externos mas, se essas são as coisas que fizeram esse filme ser assim para mim como eu posso fazer isso? Como eu posso perder a sensação de que eu estou dando dinheiro para um bando de interesseiros que só querem lucrar com a morte de mais uma celebridade? Acho que não importa, como sempre você pode muito bem discordar de mim.

Nota: 2.0

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Avatar

Finalmente chegou a hora de analisar o filme mais bem sucedido de todos os tempos, lembrando é claro que essa afirmação só vale pelas pessoas atraídas pelo filme e pelos mais de 2.600 bilhões de dólares que o filme rendeu, isso só no cinema, se formos adicionar os milhares de produtos, brinquedos e video-games Deus sabe a quanto nós chegaremos. No quesito reconhecimento o filme foi bem também, mas provavelmente não da forma como James Cameron (diretor, produtor e roteirista de "Avatar") queria. Apesar de ser muito bem recebido pela crítica assim como o seu "Titanic" de 1997, "Avatar" não ganhou o Oscar de melhor filme nem de melhor direção e muito menos onze Oscars, que foi a quantidade de estatuetas para "Titanic". "Avatar" ganhou apenas três estatuetas, porque "Avatar" foi tão pior que "Titanic" no Oscar? Porque é um filme com aliens azuis e não um dramalhão com crianças morrendo afogadas. "Titanic" tinha muito mais apelo para o pretensiosismo do Oscar. Na minha opinião "Avatar" é um filme bom, mas entre os 10 melhores que estavam ali já vou dizendo que era pior do que "Up - Altas Aventuras" e bem pior do que "Bastardos Inglórios". "Guerra ao Terror" eu não tive chances de assistir ainda e provavelmente só vou ver quando sair em DVD. O filme está escasso nos cinemas de Porto Alegre, diferente de "Avatar" que continua em cartaz em todo grande cinema daqui. 

Dia 21 de agosto de 2009 os primeiros trailers para "Avatar" eram lançados. Os trailers tinham uma ou duas frases e depois só mostravam os Na'vi (a raça alien do filme) passeando pelos lindos ambientes de Pandora (o planeta dos Na'vi). Logo que acabava o trailer você pensava "esse filme vai ser fantástico!" E o engraçado é que esse trailer não nos dizia absolutamente nada! Só mostrava bichos azuis correndo por ai. Logo que o filme saiu de verdade e eu pude descobrir a história e me decepcionei, não porque era uma imitação de "Dança Com os Lobos" ou de "Pocahontas" como muitos diziam ser, mas sim porque no fim das contas era só mais um filme de aliens, guerras e mensagens óbvias no seu enredo. A vontade de assistir "Avatar" na telona sumia cada vez mais quando eu só ouvia comentários dizendo que os efeitos especiais eram ótimos e que era um filme brilhante no ponto de vista técnico. E os trailers prometendo que esse filme ia mudar a forma como você assiste a cinema e eu dizendo em voz alta "Cameron, não prometa o que você não pode cumprir". E foi assim, desiludido e desanimado, que fui ao cinema assistir "Avatar" em 3D (eu nunca tinha visto um filme em 3D antes). Eu fui ao cinema esperando absolutamente nada, e talvez seja por isso que eu gostei tanto de "Avatar". A história não é inovadora, a lição de moral é antiga e cansada já (o homem-branco é do mal), as mensagens contra a Guerra no Iraque e anti-Bush são tão óbvias que chegam a serem engraçadas, as atuações não são nada demais e o filme é cheio de efeitos especiais... Mas James Cameron sabe contar uma história como ninguém e nesse filme ele me lembrou o porque ele é um baita diretor.

Esse filme não é para ser visto como uma obra-prima digna de um Oscar mas sim como simplesmente mais um filme, Pandora é linda, a cultura dos Na'vi não é absurda, as batalhas são realmente fantásticas, os diágolos são bons e a história é contada com perfeita maestria. É estranho como em alguns pequenos detalhes "Avatar" acerta em cheio e em outros erra feio. Eu ainda não entendi como funciona a "máquina que te torna um avatar". Algumas soluções arranjadas no filme são muito forçadas (bom, pelo menos ninguém surge na Itália do nada como em "Lua Nova"), existem personagens muito clichês como o vilão Miles Quaritch (Stephen Lang) e o amigo do protagonista Norm Spellman (Joel David Moore ) que são estereótipos demais, mas no fim você engole eles. Outro problema, por enquanto que Cameron tem sucesso em fazer a audiência se importar com os Na'vi ele fracassa em algo relativamente simples que seria fazer com que as pessoas se importassem com o protagonista Jake Sully (Sam Worthington), eu estava pouco me lixando pra esse cara. Sigourney Weaver como Grace Augustine é a melhor atuação do filme de longe. O romance entre a Na'vi Neytiri e o humano Jake é meio difícil de engolir, eu posso contar nos dedos o número de humanos que se apaixonariam por uma mulher azul, mas funciona bem no fim das contas. E outra coisa que me incomodou são que os Na'vi são um povo não muito inteligente certo? "O que será que esses humanos querem por aqui? Vamos deixar um deles viver com agente?" É meio estúpido, mas é algo perdoável.

O ponto final é: "Avatar" só é um grande filme graças a direção de James Cameron que conseguiu por exatamente o que ele tinha em mente na tela. Claro que os lindos visuais e efeitos especiais são um ótimo atributo mas não se engane, não fosse por Cameron e esse filme não seria metade do que é. O roteiro, do próprio Cameron, tem falhas, mas essas falhas são deixadas de lado no momento que você entra no filme, e entrar nesse filme é muito fácil. James fez tudo ficar mais fácil para nós. Eu não quero ficar puxando o saco do cara, nem sou um grande fã dele nem nada, mas com base nesse filme eu acho que posso sim me rasgar em elogios. Talvez o Oscar do Acuzzam de Melhor Direção devesse ficar com ele e não com Sam Raimi (eu ainda não tinha assistido "Avatar"), nem sei, considere um empate. Largue a idéia de que esse filme é uma imitação e entre logo em Pandora. Tendo o humor certo, isso não é nada difícil.

Nota: 8.0

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