Problemas e Mais Problemas...

Amigos leitores, acho que por um certo período de tempo as postagens aqui ficarão mais raras. Ultimamente vocês devem ter notado alguns atrasos da minha parte as vezes até de mais de uma semana, pois é, nesse fim de ano eu ando bastante ocupado e acabei tendo pouco tempo para o Blog. Mesmo assim eu ia continuar postando sempre que possível... Pelo menos essa era a idéia. Semana passada meu mouse começou a ter problemas (o cursor parou de se mexer) e eu só conseguia mexer na internet apenas pelo teclado. Para um leigo como eu isso dificultou muito minhas navegadas na internet. Então comprei um outro mouse apenas para me deparar com o mesmo problema. No fim das contas parece que o defeito é na entrada do mouse pois usando um mouse que entre por USB o cursor funciona. As vezes o problema parece ser de mau contato pois o mouse simplesmente resolve funcionar, mas sempre por muito pouco tempo tornando impossível sequer fazer o rascunho de uma nova crítica. Peço que se alguém reconhecer esses "sintomas" e tiver alguma idéia do que está acontecendo ou alguma sugestão para fazer meu mouse voltar ao normal por favor comente abaixo ou mande um e-mail para acuzzam@bol.com.br. Agradeço desde já.

"Três Vezes Amor" e outras coisas...

Eu não tenho condições de fazer uma crítica para "Três Vezes Amor" da forma que o filme merece por conta das já mencionadas dificuldades. O que eu posso dizer é que nesse mar de comédias românticas todas iguais "Três Vezes Amor" se destaca. Não é um filme ótimo mas certamente vai te entreter com seu humor suave, suas críticas sutís e sua história bonita. Os defeitos são aqueles mesmos defeitos de toda comédia romântica: Clichês exagerados e alguns comportamentos sem noção de certos personagens. Ganharia um 7.0 facilmente se eu fosse fazer uma verdadeira análise do filme.

Quanto a maratona de filmes de terror eu estou cancelando. Muitos desses filmes não despertariam o interesse das pessoas e só ia mesmo valer a pena falar deles em detalhe se eu estivesse podendo postar como normalmente, por isso, vou apenas dar uma "palhinha". O primeiro que eu ia analisar era "O Diário dos Mortos" ("Diary of The Dead") que é o mais novo filme de zumbis de George Romero. É um simples filme de zumbis que ainda da uma de pretensioso então eu só recomendaria para fãs de filmes de zumbis. Depois eu ia falar de "Contos de Dia das Bruxas" ("Trick'r Treat") que certamente ia ganhar uma análise bastante positiva de mim, é o tipo de filme de terror que diverte qualquer um, definitivamente vale a pena. "O Último Trem" ("The Midnight Meat Train") é outro filme que ia ganhar uma nota acima de 5.0. É um filme de terror estúpido do criador da série "Hellraiser" mas que tenta ser levado a sério e, por isso, acaba sendo mais hilário. A história apesar de idiota é surpreendente e cheia de reviravoltas, então esse eu também recomendaria com duas condições: Que você não se importe com cenas de violência fortes e que você tenha a mente bastante aberta. E pra fechar eu ia falar do remake de "Halloween" ("Halloween") que, honestamente, não é tão ruim o quanto as pessoas dizem que é. É um slasher pretensioso mas não chega a ser horrível, mesmo assim não chega nem aos pés do filme original de 1978. Ganharia uma nota intermediária.

Quando as coisas se ajeitarem por aqui eu já tenho vários filmes para serem analisados, entre eles dois filmes brasileiros, coisa inédita aqui no blog. Agradeço a compreensão de todos, abraços.

PS: Duas coisas erradas que escrevi na crítica de "Almas Perdidas": "Vampires Diaries" na verdade veio antes de "Crepúsculo", em livro, então minha reclamação no ínicio da crítica foi equivocada.  O outro problema foi que eu assassinei o português de forma brutal! Nenhum filme foi "expirado" em outro filme... Acho que vocês devem ter notado esse erro grosseiro. Agradeço a Dud's do Red Behavior e a minha irmã por me apontarem esses dois erros.   

Almas Perdidas

Começo a partir dessa crítica uma pequena maratona de filmes de terror atuais (bons ou ruins). Nada especial, o que acontece é que terror é um dos meus gêneros favoritos e ultimamente acabei assistindo mais do que o normal esses filmes. Claro que essa pequena maratona vai ser intercalada por outros filmes para não ficar cansativo. Eu não sei quantos filmes vão ser, mas não acho que vá se extender muito. Então falemos de "Almas Perdidas": As vezes nós assistimos filmes que são descaradas cópias de outros filmes, as pessoas estão cada vez com mais dificuldade de serem originais: Vemos imitações ridículas de idéias nem tão boas (a nova série "Vampires Diaries" que imita descaradamente a duvidosa série "Crepúsculo" por exemplo), vemos remakes por todos os lados, muitas vezes desnecessários, e sempre inferiores aos originais. É só alguma coisa fazer um pouco de sucesso que vão surgir dezenas de sanguessugas para pegar um pouco do sucesso para ele. No gênero de terror é normal e até compreensível os novos roteiristas usarem os filmes antigos e mais bem sucedidos para se expirar. Até alguns desses clássicos se expiraram em filmes de antes ("Sexta-Feira 13" não existiria sem "Halloween"). O que "Almas Perdidas" faz é isso, pega um clássico e se "expira" nele... Leia-se "expirar" como "copiar totalmente" nesse caso. E que tal copiar alguns dos melhores filmes de terror de todos os tempos? "Almas Perdidas" rouba idéias de "O Exorcista" e de "Poltergeist" descaradamente. Assim como "A Sétima Vítima" é um fiasco não por tirar idéias, mas por roubar cenas inteiras de "O Iluminado", "Almas Perdidas" é um fiasco por ter uma história toda baseada na mesma idéia de "Poltergeist" e pelo seu clímax ser  uma cena praticamente igual ao exorcismo de Reagan do filme de 1973.

A história é a básica história de filme de terror, o que não é algo ruim se bem feito, a história de "Arraste-me Para o Inferno" é clichê e o filme é ótimo (só pra citar um exemplo recente). Nós somos apresentados a nossa protagonista Casey Beldon (Odette Yustman), a presença de Odette é um mal sinal pois em sua pequena carreira ela só fez filmes realmente abaixo da média como "Transformers" (só uma ponta) e "Cloverfield", mas ei, ela é uma atriz jovem e gostosa, e caso tu esqueça, não se preocupe pois o diretor David S. Goyer te lembra constantemente disso. Falando sério, tem várias inúteis cenas da nossa protagonista só de calcinha e uma camisa bem curta. Voltando a história: Casey anda tendo pesadelos estranhos envolvendo cachorros e uma criança com aspecto demoníaco com olhos azuis olhando para ela. Enquanto Casey está tomando conta de Matty, o filho de sua vizinha, ela ouve a voz do menino pela babá eletrônica. Ela então vai checar e acaba sendo atacada pelo menino com um espelho e ele diz a frase "Jumby quer nascer agora!" Da forma mais ameaçadora o possível... O que não muda o fato de ser uma frase hilária. Era a última coisa que eu esperava ouvir ele dizer, falando sério, é bem engraçado. No outro dia a amiga canastrona de Casey, Romy (Meagan Good), diz pra ela que os recem-nascidos não deveriam olhar o seu reflexo no espelho até terem pelo menos um ano. Naquela noite o bebê é levado para o hospital sem conseguir respirar e para Casey (e para o diretor) isso indica que Romy estava certa. Após ter sido acertada com o espelho Casey começa a notar seus olhos mudando de cor (isso que é terror hardcore de verdade! Morra de inveja Jigsaw!), depois ela tem uma conversa com o pai que diz pra ela que ela tinha um irmão gêmeo que morreu no parto. Com apenas essas informações ela chega a uma óbvia conclusão: O espiríto do irmão gêmeo dela está assombrando ela para poder nascer e, assim, se transferir para o mundo dos vivos... Ã... COMO ASSIM? Isso não faz um mínimo de sentido necessário para eu engolir a trama tosca que eu já sabia que Goyer ia empurrar pra mim. Mesmo assim engoli meu orgulho e o filme continuou.

As atuações são horríveis, realmente horríveis. Meagan Good, que faz Romy, não estava nos seus melhores dias. Eu até não considero muito culpa dela pois a personagem que ela interpreta é uma das piores: Romy é a melhor amiga de Casey, qual a caraterística marcante dela? Ela aparentemente entende tudo sobre coisas vodu e fantasmas e tal. O estranho é que as vezes, quando o diretor precisa de um pouco de burrice dos personagens para fazer a cena que quer, ela parece esquecer tudo que ela sabe. O namorado de Casey, Mark (Cam Gigandet) não acrescenta nada, só mais e mais diálogos retardados com Casey. Depois ainda tem um certo personagem secundário (não vou mencionar quem pra não estragar o filme caso alguém se interesse a ver essa porcaria) que liga toda a história do irmão gêmeo morto que quer voltar para o mundo dos vivos à Segunda Guerra Mundial... Isso mesmo, os Nazistas são os culpados! É uma tentativa de deixar um filme um pouco mais aceitável mas falha miseravelmente. Então como eu já devo ter mostrado a história e os sustinhos à "Poltergeist" são horríveis. Alguma coisa salva esse filme? Bem, por mais que eu odeie admitir a cena em que eles descaradamente copiam "O Exorcista" ficou bastante divertida. Quero dizer, pelo menos eles copiaram bem e botaram umas cenas de ação aceitáveis no final, então em certo ponto o filme até me entreteu. Mas honestamente, não valeu a pena...

O ponto final é: "Almas Perdidas" não é mais um desses filmes de terror que sai todo fim-de-semana direto pra DVD, de jeito nenhum. "Almas Perdidas" é esses lixos que saem a todo santo momento direto pra DVD só pra dar um grana fácil para pessoas que não se esforçaram nem um pouco para criar um filme bom. "Almas Perdidas" é entretenimento nível pipoca: Sua trama nao faz sentido, suas atuações são ruins, seus diálogos são sofríveis, mas os efeitos especiais são legais e têm umas boazudas especialmente para o público adolescente. Se você tiver mais de um neurónio esse filme não é pra você.

Nota: 2.5

Próxima análise: Três Vezes Amor

Distrito 9

O filme mais original dos últimos tempos? 90% no Rotten Tomatoes? De 208 críticas do mundo todo só 23 foram negativas? Na boa, "Distrito 9" é um bom filme mas nem de longe é pra tudo isso. Quero dizer, sua idéia definitivamente é inovadora, mas a série "Star Trek" já não tinha mostrado preconceito usando aliens? "O Dia em Que a Terra Parou" não usou aliens para dar uma mensagem de paz para o mundo inteiro? Sendo que isso foi em 1951! Quanto a "câmera inovadora"... As pessoas esqueceram de "A Bruxa de Blair"? "The Last Broadcast"? Até "Cloverfield" e "[REC]"! Algumas pessoas podem até argumentar que a câmera em formato de documentário nunca foi feita antes, mas foi! "O Massacre da Serra Elétrica" fez a mesma coisa em 1974! Ok, a mudança de estilo de câmera no meio do filme, pra mim até foi uma coisa nova, mas isso não é o suficiente pra chamar de revolucionário. Outra coisa é que as pessoas falam tanto da crítica ao Apartheid, e essa crítica realmente existe no filme, mas ela não é aprofundada! O filme logo vira um filme de ação, um bom filme de ação diga-se de passagem, mas a crítica nunca é aprofundada. Pra mim não serve como crítica se o filme for só baseado no acontecimento e nunca aprofundado nesse acontecimento. É a mesma coisa que dizer: "O Apartheid foi ruim!" Tipo, uau! Agora que tal me contar algo que eu não saiba! O diretor Neill Blomkamp (que teve sua estréia nesse filme produzido pelo consagrado diretor Peter Jackson) usou uma boa dose de pretensiosismo, na minha opinião, para fazer esse filme.

A história tão comentada de "Distrito 9" é a seguinte: Em 1982 um enorme nave alienígena surge no céu de Johannesburgo na África do Sul. O filme foi elogiado por não ser em Nova York que a nave pousa, mas pensem bem, os Nova Yorkinos vão por a nave em Nova York. Neill nasceu na África do Sul, então é normal que a nave apareça em Johannesburgo. Com o surgimento da nave as pessoas no mundo todo só olham para a capital da África do Sul esperando pra ver o que os aliens farão. Alguns esperam que eles ataquem todo mundo e outros esperam uma tecnologia muito avançada, mas os aliens na verdade pousaram na Terra por uma emergência, eles pousaram para sobreviver. O filme então avança até 2010. A nave continua no céu de Johannesburgo, e os aliens vivem em favelas no seu asilo na Terra chamado Distrito 9. Existe até um termo pejorativo, "camarão", para denegrir a imagem dos aliens. O povo de Johannesburgo pede a saída dos aliens da cidade, o Distrito 9 já virou um local com prostituição (quem não iria querer transar com um camarão?), Violência e tráfico de comida de gato (É sério!). Agora em 2010, uma corporação é posta para fazer o deslocamento dos aliens para o Distrito 10. O homem responsável por essa operação é o nosso protagonista Wikus van der Merwe (Sharlto Copley, é interessante ressaltar que Sharlto improvisou todas suas falas e isso é impressionante). Wikus encontra uma substância alien que ele acaba absorvendo, com isso ele vai lentamente se tornando um "camarão", com isso ele se torna um grande alvo do governo e tem que se esconder no lugar mais improvável de todos... O Distrito 9.

Esquecendo da minha indignação com o quanto esse filme foi super-estimado, eu posso dizer que é um bom filme de ação, com uma história inteligente, porém, com grandes falhas. Primeiro: Porque ninguém nunca desceu a nave alienígena? É difícil engolir que o nosso governo, tão interessado nas armas usadas pelos aliens, que só funcionam com seu DNA, não se interessassem nem um pouco na gigantesca nave que passa 28 anos intacta no céu de Johannesburgo. Outra coisa, será que nós, seres humanos, realmente iríamos por os aliens assim em favelas? Acho que o mundo inteiro iria se interessar em saber de onde eles vieram, porque eles vieram, como eles vieram, como é o planeta deles, onde é o planeta deles. Nós teríamos perguntas demais para simplesmente botar eles em favelas não? Será que o povo de Johannesburgo, principalmente os negros, não iriam pensar: "Ei, isso parece com algo que aconteceu aqui a pouco tempo..." Quero dizer: A semelhança com o Apartheid é inegável. Pra pegar um pouco mais no pé: Porque diabos um alien tem uma substância na sua casa que transforma humanos em aliens? Depois até nos explicam o que é a substância mas mesmo assim, a questão não muda. Mas se tu tirar tudo isso da frente, sentar e assistir "Distrito 9" como um simples filme de ficção científica com ação você certamente vai gostar. As cenas de tiroteio entre humanos e aliens são fantásticas, o senso de humor de Blomkamp é muito bem colocado no filme e a atuação de Sharlto é muito boa. Você realmente sente o drama de Wikus e evolui junto com o personagem que vai do preconceito a aceitação.

O ponto final é: O grande problema de "Distrito 9" é o peso do hype colocado em seus ombros. Um hype que o filme não criou, quem criou foram os críticos que tanto amaram esse filme. Mas isso não é culpa do filme. Apesar do pretensiosismo Neill Blomkamp é certamente um diretor do qual ainda muito ouviremos falar, as cenas de ação realmente te deixam na ponta da cadeira e te fazem pedir por mais. A trama em si é aquela coisa: Não é tudo isso de originalidade e tem alguns furos bem grandes. "Distrito 9" é puro entretenimento e certamente é uma boa pedida sempre que você precisar de um pouco de adrenalina. Mas não espere muito mais que isso.

Nota: 7.0

Próxima análise: Almas Perdidas

PS: Desculpem o atraso. Vou tentar compensar com uma crítica no meio da semana. A palavra chave sendo "tentar".

Bastardos Inglórios

Será que é cedo para nomear um filme como melhor filme do ano? Porque dificilmente "Bastardos Inglórios" vai ser superado. Quem assistiu pode achar que estou me equivocando, claro que é um grande filme, mas o melhor do ano? Sim, pelo menos para mim, sim. Esse foi um ano que me diverti muito no cinema vendo filmaços como "Harry Potter e o Príncipe Mestiço" e "Arreste-me Para o Inferno" mas por melhores que esses dois filme sejam, "Bastardos Inglórios" consegue ficar a frente deles. E é estranho para mim dizer isso pois, para ser sincero, eu estava começando a cansar da fórmula do diretor Quentin Tarantino. "Cães de Aluguel", "Pulp Fiction", "Kill Bill" e "Kill Bill Vol. 2" foram todos bons filmes, no caso de "Pulp Fiction" um ótimo filme, mas após o segundo "Kill Bill" eu estava começando a cansar de sua forma de contar histórias. "Bastardos Inglórios" cala a minha boca pois mantém a mesma forma de contar as tramas e é tão, mas tão bom. E eu realmente estou pondo minha cara para bater quando digo melhor filme do ano pois a maioria dos críticos, talvez todos que eu tenha lido, discordam de mim. Não que "Bastardos Inglórios" tenha tido notas negativas, longe disso, mas o filme do momento, o filme que conquistou os críticos e está sendo considerado a "obra-prima do ano" é "Distrito 9" (será minha próxima crítica). E ainda tem alguns filmes que prometem muito para sair esse ano, tem "Avatar" de James Cameron (diretor de "Titanic" e dos dois primeiros "Exterminador do Futuro"... Precisa de mais?) e ainda "Invictus" (não sei qual será o nome no Brasil) de um dos meus grandes ídolos, Clint Eastwood. Então porque eu já estou chamando "Bastardos Inglórios" de o melhor filme do ano? Simplesmente porque eu não vejo como superar esse filme... Simples assim...

São duas tramas que se encontram de forma extremamente inteligente, eu vou dar só uma idéia porque aprofundar aqui pode estragar o filme para quem ainda não viu. O filme começa em 1941 na França ocupada por Alemães, nós somos logo introduzidos a um dos melhores vilões dos últimos tempos: Coronel Hans Landa (Christoph Waltz), conhecido como "O Caçador de Judeus". O cara entra numa casa que estã esondendo judeus com toda educação possível, em nenhum momento ele é agressivo, ele simplesmente entra e começa a conversar com o dono da casa (que está escondendo judeus). Por enquanto que o dono está nervoso o coronel esbanja cordialidade, e após um pouco de papo ele sútilmente informa o homem que ele sabe que tem judeus naquela casa. O coronel, junto com seus soldados, performa um massacre sem estardalhaço que vêm repentinamente, e nesse momento, com menos de 10 minutos de filme, você já está vidrado. Uma judia consegue escapar, Hans Landa a deixa escapar, seu nome é Shosanna Dreyfus (Mélanie Laurent). Quatro anos após esse acontecimento vemos Shosanna, que assumiu um nova identidade, vivendo escondida na França, ela é proprietária de um pequeno cinema lá. Quando se decide que a estréia de um filme sobre um herói alemão vai ter sua grande estréia no cinema dela, sendo que até Adolf Hitler vai ir na estréia, ela decide armar um plano para queimar o cinema com todos os nazistas dentro. Na outra parte da história nós vemos um grupo que é chamado de "Os Bastardos". Esse grupo é formado por judeus, e eles vão para a França com um simples objetivo: Matar nazistas. O líder deles é o Tenente Aldo Raine (Brad Pitt) que é o tipo de cara que deixa qualquer Jack Bauer e Capitão Nascimento no chinelo. Se o Coronel Hans Landa é um vilão tão bom, o Tenente Aldo Raine é um herói tão bom quanto.

Essas duas histórias se juntam com maestria, de forma natural, nada aqui é forçado. As atuações são todas acima da média. Alguns personangens que não mencionei aqui são perfeitos: O Tenente Archibald Hicox (Michael Fassbender) que se encontra com Os Bastardos na França é um personagem bem legal também. Eli Roth e Til Schweiger são ótimos como dois dos Bastardos. Mas são dois atores que roubam a cena: Christoph Waltz e Brad Pitt. Esse vilão legal que eu mencionei antes, o Coronel Hans Landa, já é um personagem realmente assustador, mas ele só é tão memorável por causa da atuação impecável de Waltz, cada palavra que ele diz é impactante. Já Brad Pitt fez o que sempre faz: Um trabalho perfeito. O Tenente Aldo Raine é tão carismático graças a ele. O sotaque carregado que Pitt faz cai como uma luva no personagem. Até a forma de se mexer é muito bem feita por Pitt. Cenas memoráveis? Mais de uma. A cena no bar, na minha opinião, é fantástica do início ao fim. Minha outra cena favorita é quando Os Bastardos precisam se infiltrar disfarçados de Nazistas, o senso de humor de Tarantino é visto por toda essa cena em particular.

O ponto final é: "Bastardos Inglórios" é um filme para a estante, e para mim, se tornou um dos meus filmes favoritos de todos. Ao lado de "O Exorcista", "Persépolis", "O Silêncio dos Inocentes", "Meninos Não Choram" e "Clube da Luta" esse é um filme que me encantou e me divertiu ao máximo. Não é um filme realista e muito menos historicamente acurado, mas nunca se propôs a ser. E pra ser sincero é por isso que é tão bom. Claro que a história é muito importante e existem algumas obras-primas que contam a história, no caso, da Segunda Guerra Mundial, mas por mais real que as coisas sejam, cinema é fantasia. O que Tarantino faz com esse filme é original, criativo, arriscado e, acima de tudo, maravilhoso. Eu não vejo um defeito que valha a pena mencionar. Mas acho melhor eu parar de me rasgar em elogios e deixar você assistir. São filmes como esse que me fazem amar cinema.

Nota: 10

PS: Assisti a um filme esse fim-de-semana que se eu tivesse assistido antes certamente teria entrado na lista dos Top 10 Mais Assustadores. Apesar de usar muito pouco sangue o terror psicológico é tanto que eu cheguei a passar mal assistindo, e foi a primeira vez que isso aconteceu comigo, é hardcore. Para os interessados o nome do filme é "Menina Má.com" ("Hard Candy" é o nome original). Achei uma boa recomenda-lo, afinal, estamos em semana de Halloween.

Próxima análise: Distrito 9

Watchmen - O Filme

E lá vou eu me queimar com o pessoal de novo. Depois de ser bombardeado por amigos e alguns leitores pela nota 5.0 que dei a "Batman - O Cavaleiro das Trevas" vou ser bombardeado agora por falar dessa porcaria superestimada que é "Watchmen - O Filme". Dessa vez a crítica mundial não foi tão boa, então não estou indo totalmente contra a maré como no caso do filme do Homem-Morcego, mas eu não vi uma pessoa até agora que concordasse comigo que "Watchmen - O Filme" é uma porcaria. Outra diferença é que com Batman a nota foi na média (5.0 já é na média), com "Watchmen" vai ser outra história... Duas coisas que já me incomodaram estavam na capa, primeiro o título "Watchmen - O Filme", é tipo: "Ah, sério? Achei que fosse a história em quadrinhos!" E depois estava escrito: "Do visionário diretor de '300'", duas coisas com essa frase: Primeiro de tudo, faltou um pouco de modéstia para o diretor Zack Snyder não? Visionário? Porquê? E segundo, "300" não foi um filme "visionário" em lugar nenhum, é só um filme com um monte de caras (de cuecões) se matando. Não foi um filme ruim mas de forma alguma foi um filme "visionário". Deixando minhas reclamaçõezinhas irrelevantes de lado acho que é uma boa explicar que "Watchmen" é baseado numa série de gibis americanos, eu nunca havia ouvido falar antes do filme então achei melhor explicar.

A trama se desenrola em um universo alternativo onde em retaliação as gangues de mascarados criminosos surgiram vários vigilantes também mascarados (vulgo Super-Herói). Mas ao invés das coisas serem bonitinhas como nos gibis a população se revoltou contra eles e eles tiveram que parar, ser vigilante começou a ser contra a lei e um monte de papo furado. Primeiro de tudo: Algumas pessoas falam que essa idéia é original, mas não é! E além de tudo é cansada. O próprio "Homem-Aranha" em seus primeiros gibis e até o "Batman" foram heróis contestados, tanto que em "Os Incríveis" a idéia foi satirizada. Outra coisa que me incomoda é essa história de "um universo alternativo". Claro que em filmes a fantasia é muito importante mas isso pra mim é uma desculpa pra dizer "Posso fazer o que eu quiser!". Porque a máscara do personagem Rorschach (Jackie Earle Haley) fica com seus desenhos se movendo o tempo todo? Porque é uma realidade alternativa... É apelação! E quando num filme eu tenho que ouvir que os Estados Unidos venceu a Guerra do Vietnã graças a ajuda do único homem com poderes na face da Terra (Que não só é convenientemente americano como também é simplesmente indestrutível, e pode voltar no tempo e se teletransportar... Pura criatividade...) eles já estão passando a linha do ridículo. Aliás o nome do super-herói americano é Dr. Manhattan (Billy Crudup), e não só ele têm os poderes de um deus como também ele um dos personagens mais insuportáveis de todos os tempos, e não é culpa do ator, o personagem é que é chato! Cada vez que esse cara abria a boca eu tinha vontade de passar de cena! Pelo menos os outros são engraçados, engraçados sem querer, sim, mas engraçados.

É complicado tu gostar de um filme que só tem personagens estúpidos! Além do Dr. Manhattan (que é o pior de todos) temos Rorschach que é o único que da para tentar simpatizar, mas isso porque ele é hilário! Os discursos desse cara no seu diário (é, ele escreve em um diário) são tão clichês e idiotas que ele realmente me fez rir bastante. Também temos a Espectral II (Malin Åkerman) pra ser sincero ela tem uma história interessante, vive na sombra de sua mãe que foi a primeira Espectral que é conhecida por ter sido a primeira heroína a receber pelo que fazia, a atriz é bonita e competente, Espectral II é uma personagem legal, mas ela passa tanto tempo com o Dr Manhattan (cujo ela foi casada, o que eu não entendo já que o cara é azul e não é bem um ser humano) que ela é infectada pela chatice daquele cara. Também tem O Coruja II (Patrick Wilson) que não tem nenhuma personalidade, e que tipo de pessoa se intimidaria com um super-herói chamado O Coruja II? É como se só O Coruja não fosse ridículo o suficiente então eles botam um II do lado (sim, teve O Coruja I antes). Temos o Ozymandias (Matthew Goode), que mal aparece no filme e O Comediante (Jeffrey Dean Morgan) que não tem nada de engraçado e nada de herói também.

O ponto final é: "Watchmen - O Filme" é um fiasco! Eu sei que eu basicamente só falei dos personagens mas é porque esse é um filme que dependia totalmente de seus personagens para ser bom, pois a maioria do filme se concentra nos conflitos entre eles. Dr Manhattan quer salvar o mundo mas tudo que ele faz é ficar com ciúmes da ex-namorada, e essa história estúpida dos ciúmes se arrasta pelo longa inteiro. Temos que ficar vendo os conflitos emocionais da Espectral II e ficar ouvindo as besteiradas que Rorschach não para de falar com sua "voz misteriosa". E ver O Coruja II se questionando o tempo todo. Eles deveriam estar em busca da paz mundial mas eles ficam o tempo todo no mesmo papo furado. O filme todo tem um ar pretensioso graças ao nosso "visionário" diretor. A única coisa boa, que é a trilha sonora é tirada diretamente de filmes como "A Primeira Noite de Um Homem" ("The Sound of Silence" por Simon & Garfunkel) e até de "Shrek" ("Hallelujah" por Leonard Cohen). Esse filme é um lixo. Ponto.

Nota: 2.5

Próxima análise: Bastardos Inglórios

Anjos e Demônios

Já falamos aqui de J. K. RowlingJosé Saramago, Stephenie Meyer entre outros. São escritores de sucesso que tiveram suas obras filmadas, se você gosta ou desgosta deles é irrelevante pois eles vão continuar fazendo sucesso. Então vamos falar dessa vez de um dos mais polêmicos escritores da atualidade: Dan Brown. Vou jogar uma bomba aqui, eu nunca li um livro dele, nem "O Código Da Vinci". Não sou fanático por ele mas também não odeio o cara (porque parece que com esse cara é ame ou odeie). Não gostei do filme baseado em "O Código Da Vinci", achei fraco e com falhas bastante irritantes. Já "Anjos e Demônios" que é baseado no livro de mesmo nome, uma história que pelo que eu entendo, aconteceu antes de "O Código Da Vinci", é bem mais ou menos. Tom Hanks parece distante, não parece o mesmo ator de "Filadélfia" e "Forrest Gump". O diretor Ron Howard parece até meio desinteressado, o trabalho dele nesse filme é muito menos do que ele realmente pode fazer, quem viu "Uma Mente Brilhante" sabe disso. Mas pra ser sincero, eu achei a história boa, assim como achei a de "O Código Da Vinci", mas parece que quando é filmado perde boa parte de sua graça. No livro o que deve parecer surpreendente no filme é... Estúpido. São tantas reviravoltas desnecessárias que ao invés de surpreender irrita o telespectador.

A trama é bem pensada, a Organização Européia de Pesquisa Nuclear (CERN) está produzindo a partícula de antimatéria, mas é roubada. Como roubar um lugar com uma segurança tão boa? É uma questão de ter o olhar certo (Haha... Ha...). No Vaticano estão preparando a posse do novo Papa. Assim como na realidade várias pessoas esperam ansiosamente do lado de fora pela fumaça branca. Existem quatro preferiti (os candidatos com mais chances de serem o novo Papa) e esses quatro são raptados pelos Illuminati (os caras que, de acordo com quem acredita nas teorias da conspiração, estão por trás da "Nova Ordem Mundial"). Pra mim essa história de por os Illuminati como os vilôes já é meio chata: Com tantas teorias ridículas sobre eles em todos os lugares da Internet eu não consigo levar muito a sério, talvez isso seja problema só meu então eu dou um desconto. A idéia é de ir matando os Preferiti e quando todos estiverem mortos usar a partícula de antimatéria para levar o Vaticano pelos ares. Para solucionar o problema eles chamam Robert Langdon (Tom Hanks), um especialista em símbolos. A cientista Vittoria Vetra (Ayelet Zurer) resolve ajudá-lo nessa missão de evitar o caos.

Claro que o assassino deixa sempre pistas que Langdon tem que interpretar para conseguir saber onde estará a próxima vítima, e mesmo essa sendo uma idéia reciclada tantas vezes não deixa de ser feita de forma divertida. O suspense pode não te deixar muito tenso (é bem fraquinho na verdade, principalmente se comparado a "O Código Da Vinci") mas a aventura é rápida deixando o filme sempre no pique. Certas cenas de ação são bem legais, o meu destaque vai para a cena que Robert tem que conseguir quebrar uma parede de vidro, pode parecer estúpido mas eu achei muito legal. Pesando contra o filme nós temos algumas cenas clichês que chegam a te dar vontade de rir, mas nada supera as reviravoltas constantes: São tantas viradas de história em tão pouco tempo que ao invés de se surpreender tu só fica confuso, e isso pode ser bem frustrante. Outra coisa que incomoda é a inutilidade de certos personagens, tá certo que Dan Brown tinha que criar suspeitos para nos deixar curioso mas tem uns caras que estão ali que tu não engole.

O ponto final é: No fim das contas não tem muito o que falar sobre "Anjos e Demônios". É um filme médio para bom que certamente vai te entreter apesar de suas falhas. É aquela velha história de estar entediado num dia de chuva, chamar uns amigos, ou a(o) namorada(o) botar no DVD e assistir sem ficar fazendo perguntas. E para um filme nesse estilo "Anjos e Demônios" faz o seu trabalho muito bem. É bom para um crítico de cinema (mesmo não sendo um profissional, como eu) sentar e assistir um filme, só assistí-lo, não analizalo. E por isso esse filme me conquistou, ele não é uma obra prima mas vai rodar leve na sua cabeça e te deixar com um bom sentimento no final.

Nota: 7.0    

 

Próxima análise: Watchmen - O Filme

As Duas Faces da Lei

A lógica é simples: Não adianta ter só um grande elenco, tu tem que ter um mínimo de competência em todo o resto, e nem esse mínimo garante que teu filme vai ser bom. Pense em "Doze Homens e Outro Segredo": George Clooney, Brad Pitt, Matt Damon, Catherine Zeta-Jones, Julia Roberts entre outros bons atores (ok, eu considero Matt Damon um péssimo ator, mas ele têm nome). Por melhor que seja esse elenco aquele filme é lixo, realmente um filme sofrível. "As Duas Faces da Lei" é a mesma coisa: Robert De Niro ao lado de ninguém menos do que o mestre, Al Pacino. Não é uma dupla qualquer, esses são Michael Corleone (Al Pacino) e Vito Corleone (Robert De Niro), são até hoje conhecidos por esses papéis na saga de "O Poderoso Chefão". São atores imortais que fizeram papéis que nunca serão esquecidos. Na minha opinião Al Pacino é muito melhor, o cara é fantástico, mas Robert De Niro é outro ótimo ator. Algumas pessoas podem questionar que eles só se imortalizaram com essa imagem de máfia no já mencionado clássico de 1974 (a segunda parte da saga, quando os dois aparecem juntos), mas isso é besteira. Robert De Niro também está em "Brasil" que é aclamado no mundo inteiro e Al Pacino foi Tony Montana em "Scarface" que é um filmaço. Então vendo o nome dos dois na capa eu pensei: "Ok, isso vai ser fantástico!" Eu estava bem errado, sendo otimista esse é um filme ruim. Porque o diretor tinha que ser um cara inexperiente como Jon Avnet? Nada contra ele, mas existem tantos nomes que poderiam fazer mais por esse filme.

O filme começa com uma gravação do detetive, apelidado de Turk (Robert De Niro), se apresentando como o detetive David Fisk e confessando para a câmera que ele assassinou 14 pessoas. Então o filme faz um flashback, que é como a história é contada por Turk. Essa história gira em torno dele e de seu parceiro Rooster (Al Pacino). Só ai eu já fiquei com um pé atrás: Rooster e Turk? Que tipo de nomes são esses? Vocês tem Al Pacino e Robert De Niro, dêm para eles nomes decentes, mas esse é o menor dos nossos problemas. A primeira missão que nós vemos eles estão tentando acabar com um traficante apelidado de Spider (vivido por 50 Cent. Isso é curioso não? Spider é um personagem bastante importante e eles chamam o rapper da "Candy Shop" para interpretar ele? O Ice-T não estava livre? Mas pra ser justo, a atuação de 50 Cent é bastante razoável.) Turk e Rooster usam a velha tática da escuta, mas são descobertos, e isso resulta em um tiroteio. Então pulamos para um julgamento onde um estuprador detido por Turk é solto, furioso Turk o ameaça e a cena pula para esse estuprador sendo baleado e morto por alguém que não vemos... Sútil não? Esse assassinato é só o início dos assassinatos deste atirador, a história do filme é simples: Turk e Rooster estão atrás de um serial killer.

O filme é simplesmete torturante em todos os aspectos: Nenhum personagem é interessante ou tem carisma, é como se tivessem arrancado toda graça de Pacino e De Niro. A história é arrastada e, algumas vezes, incoerente. As cenas de ação são raras e mal feitas, não te passam aquela adrenalina que deveriam te passar. As conversas de Turk e Rooster com sua psicóloga são maçantes e desnecessárias, o caso amoroso de Turk com a detetive Karen Corelli (Carla Gugino) é chato e recebe muita atenção do diretor. Nada foi feito com maestria! O final tem uma reviravolta tão estúpida e apelona que você não se surpreende com o filme, você se irrita. Algumas pessoas podem argumentar que foi um final totalmente inesperado e por isso muito inteligente, mas não foi. Foi um final apelão e mesmo apelando não é impossível de descobrir! Os motivos dos personagens são uma piada, o diretor apela pros clichês supremos dos filmes de policial sem nem tentar esconder isso. A única coisa boa no filme são realmente só as atuações de Robert De Niro e Al Pacino que parecem fazer de tudo para melhorar essa porcaria.

O ponto final é: "As Duas Faces da Lei" é o filme que mais me irritou nesses últimos tempos. Eu nem posso dizer que tinha potencial porque não tinha. A história é horrível! Entupida de clichês! Como foi que dois grandes atores concordaram de fazer isso? Quero dizer, esses caras não precisam de mais dinheiro, eles já tem o suficiente, então porque se sujeitar a um enredo estúpido como esse? Robert De Niro até não me surpreende, afinal ele está em filmes como "Entrando Numa Fria" e "Entrando Numa Fria Maior Ainda". Agora Al Pacino? Quando Al Pacino participou do fraco "Insônia" já foi difícil para um fã como eu engolir, e agora isso? Acho que devemos esquecer deste fiasco e lembrar apenas dos bons momentos... "O Poderoso Chefão", "O Pagamento Final", "Perfume de Mulher", "Scarface"... Esse sim é o Al Pacino que eu tanto admiro.

Nota: 2.0

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Presságio

Suspenses atualmente não andam numa boa fase, é só olhar para filmes como "A Chave Mestra" ou "O Grande Truque": Você pega uma idéia comum da uma de pretensioso e bota um ar de inteligente no filme, várias pessoas vão gostar, mas essa não é a marca do bom suspense. O bom suspense não é aquele que só te surpreende, tem tambêm que ser algo com um sentido. E os dois exemplos tem certo sentido, qual o grande problema com eles? São finais e idéias extremamente forçadas que não te levam a nada, e eu não gosto disso pois essa idéia me da a impressão então que até uma criança pode fazer um suspense. E esse é o grande problema de "Presságio", dirigido por Alex Proyas (mesmo diretor de "Eu, Robô") a idéia é inovadora e a trama inteligente, mas tem tanta coisa forçada no meio disso tudo, tanta coisa desnecessária que acaba atrapalhando as verdadeiras idéias originais. "Presságio" acaba sendo mais um filme de suspense pretensioso, mas a idéia inicial é tão boa que não podemos simplesmente passar reto por esse filme. É o tipo de longa que eu não acho grande coisa mas aconselho a assistir. Nesse momento em que filmes de terror e suspense andam tão fracos, são poucos os que se salvam (como "Arraste-me Para o Inferno"), e as premissas originais não significam mais que o filme será bom.

O filme abre com uma cena em 1959 no colégio William Dawes onde uma classe de crianças está colocando em um recipiente vários desenhos de como elas acham que vai ser o futuro. Uma menina chamada Lucinda Embry (Lara Robinson), que é a "esquisita" da turma", ao invés de desenhar sobre o futuro ela simplesmente escreve um monte de números que aparentemente não tem nenhuma ligação. Os números vão para o recipiente com todos os outros desenhos e tudo sera aberto daqui a cinquenta anos. Então cortamos para 50 anos depois, 2009 ("Uau, sério Acuzzam?") o recipiente é aberto e quem recebe os números é um menino chamado Caleb (Chandler Canterbury) filho de John Koestler (Nicolas Cage). Seu pai cria um certo interesse pelo papel com os números e descobrindo que os números indicam as datas de grandes tragédias (as que aconteceram e as que acontecerão), sua coordenadas geográficas e o número de vítimas dessas tragédias. Depois desse início bastante interessante o teu hype com o filme aumenta muito, tu acha que esse vai ser um filmaço de suspense, infelizmente o filme não consegue atingir as expectativas que cria. O filme fica se arrastando por um tempo sem nenhuma necessidade, coisas óbvias para você parecem ser mistérios para os personagens que você não consegue simpatizar pois eles não tem carisma. Como é possível tirar todo o carisma de Nicolas Cage num enredo com tanto potencial como esse? Aliás, Cage não parece muito bem nesse filme, não tem nada a ver com a sua atuação nem nada mas desde o início ele parece estar cansado, ele não está com a energia de "O Senhor das Armas" ou até mesmo com a energia com que ele estava em "O Motoqueiro Fantasma".

Para mim o grande pecado do filme é que parece que ele não engrena de forma alguma, por exemplo: Em um momento tem uma cena com um avião que é muito legal pois é tão de repente e te deixa tão surpreso, e depois dessa cena tu espera que o filme vá engrenar, mas ao invés disso eles te fazem passar por mais cenas chatas e desnecessárias antes de chegar ao que tu quer ver. E não é como em "O Exorcista" que o filme passa o tempo todo te atiçando de uma forma que tu não espera para ver o final mas tu não quer perder nada do que vêm antes dele, em "Presságio" é simplesmente cansativo, tão cansativo quanto a performance de um cansado Nicolas Cage. Mas, para ser justo, "Presságio" tem os seus momentos. Pra mim todo o início até a parte que Nicolas Cage decifra o papel é ouro, mesmo eu já sabendo que essa era a premissa. Alguns momentos de choque são bem legais, o melhor de todos sendo a já mencionada cena com o avião. A explicação final é forçada sim, como dito no início da crítica, mas para mim era realmente um filme difícil de terminar, esse tema de tragédias e previsões do futuro sempre são desafios para os escritores.

O ponto final é: "Presságio" é um filme de muito potencial que acabou não sendo totalmente aproveitado, isso faz dele um filme ruim? Não exatamente... Mas faz dele um filme frustrante. Quanto as atuações, todas elas são o que você espera, só Nicolas Cage que não deu o seu máximo, ele não é um grande ator mas parece que até ele se cansou com as cenas repetitivas e cansativas que fazem de tudo para acabar com as coisas boas de "Presságio". Dependendo de como você assistir esse filme você pode muito bem considerá-lo uma grande perda de tempo. E eu não acho que essas pessoas estão totalmente erradas apesar de eu discordar delas. Se você é uma pessoa apaixonada por cinema assim como eu alugue o DVD, se não for pode esquecer "Presságio", suas idéias inovadoras ficaram bastante comuns... E cansativas...

Nota: 5.5

PS: Desculpem pelo atraso em postar, mas isso não vai afetar as datas das próximas críticas, essa daqui vai ter menos tempo no topo da lista devido o atraso.

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Top 10 Mensagens em Filmes

Fazer uma lista Top 10 nunca é fácil, eu não vi todos os filmes que existem, longe disso, então eu posso cometer erros. Algumas pessoas podem não gostar que eu não ponha os grandes clássicos nessas listas, mas a verdade é que eu só não os ponho porque acho que apesar deles serem bons, com o tempo, eles perdem a força em certos quesitos. Porque "Psicose" não entrou na lista de mais assustadores assim como "Dracula", "Frankenstein" entre outros? Porque se tu assiste hoje esses filmes, por melhores que eles sejam, eles não são assustadores. "Gritos Mortais" é um filme bastante fraco mas, para mim, foi um filme assustador, por isso tomou naquela lista o posto de nono lugar. Nessa lista não é bem a mesma coisa, por enquanto que na lista anterior tinham alguns filmes que eu não considero bons, nessa lista todos eles eu recomendo. Por favor não se irritem por verem grandes filmes como "Cidadão Kane", com uma grande mensagem, fora da lista, eu simplesmente fui sincero com as mensagens que eu acho que mereciam estar aqui. Se você tiver alguma reclamação por favor comente. Chega de bate-papo, vamos lá.

10) "Simplesmente Amor" ("Love Actually" - 2003): O nome desse filme diz tudo: "Simplesmente Amor". Aqui não tem trama bem trabalhada, não tem grandes risos, não tem realismo, tem apenas amor. Com uma visão bastante utópica do amor o diretor Richard Curtis faz um filme leve, solto, bonito e sem grandes problemas. Com essa atmosfera tão "bonitinha" e uma visão exageradamente inocente da sociedade tu pode se perguntar qual a grande mensagem desse filme, a sacada é a mais clichê o possível, mostrar que o amor é a coisa mais importante na vida de uma pessoa. Ao invés de ter uma trama fixa esse filme vai contando a história de várias pessoas com diferentes formas de amor, por exemplo: Um menino que descobre o amor na escola, um cantor falido que aprende sobre o verdadeiro valor da amizade, um escritor fracassado que vê amor fora de sua classe social e de sua própria língua, etc. Apesar de tudo ser mostrado de forma muito simples e fora da realidade a mensagem de "Simplesmente Amor" é linda, mas também nada complexa: O amor gira o mundo.

9) "Rocky" ("Rocky" - 1976): Até hoje um filmaço "Rocky" é uma obra-de-arte obrigatória para qualquer amante de cinema, mas o que o torna um grande filme não é só sua história maravilhosa, seu carisma, e sua originalidade para a época, mas sim a sua mensagem. Rocky Balboa (Sylvester Stallone) é um boxeador amador que tem uma vida bastante comum, ele faz o que ama sem grandes pretensões na vida e é apaixonado por uma lojista chamada Adrian (Talia Shire) que também tem uma vida bastante comum. Um dia ele tem a grande chance da vida dele quando é escolhido para enfrentar o famoso boxeador Apollo Creed (Carl Weathers). Ninguém acredita que ele tenha alguma chance, a imprensa chega a ridicularizar Rocky na sua frente. Mas Rocky tem um objetivo traçado e luta pelo que quer, treina sem parar e se prepara como pode para o grande confronto. O diretor John G. Avildsen deixa claro sua mensagem: Lute pelo que você quer, não deixe os outros dizerem quem você é. "Rocky" humilha qualquer livro de auto-ajuda.

8) "Quero Ser John Malkovich" ("Being John Malkovich" - 1999): Antes de qualquer coisa, esse é um dos filmes mais estranhos que eu já assisti, e considerando as coisas que eu já assisti isso é um feito. Pra quem não sabe a história do filme do diretor Spike Jonze é a seguinte: Craig Schwartz (John Cusack) é uma pessoa que vive de marionetes, (Pergunta curiosa: Qual o nome que se da pra quem trabalha com marionetes?) ele faz seus teatros de marionetes e vive disso, mas ultimamente não está dando certo. Ele aceita um trabalho no andar 7 e meio de um prédio, onde ele tem que andar acocado pois é um pequeno andar secreto entre o sétimo e o oitavo andar, e numa sala ele descobre uma entrada para a mente do conhecido ator John Malkovich (interpretado pelo próprio John Malkovich). Sim você entendeu direito, então eu já acho que uma grande mensagem já é esta: Não tenha medo de suas idéias, use sua criatividade. E a outra grande mensagem do filme é que você não pode controlar a vida de outra pessoa, você não pode mexer uma pessoa como se fosse a sua marionete. Você não tem o direito de manipular as pessoas não importa as armas que você tenha para isso, mesmo se você encontrar uma entrada para a mente dessa pessoa. E com um olhar mais irônico tem ainda uma mensagem contra as drogas! É só usar sua imaginação: Para que usar drogas? "Quero Ser John Malkovich" é uma viagem e vai te deixar chapado de tão louco, mas definitivamente não é uma droga (Sério, é muito estranho).

7) "Uma Mente Brilhante" ("A Beautiful Mind" - 2001): Algumas pessoas talvez não gostem que eu estou puxando para um assunto já falado: Superação. Assim como em "Rocky" "Uma Mente Brilhante" é sobre um homem que supera seus problemas com muita vontade, mas como esse filme tem uma dimensão maior que os outros do assunto acho que ele merece destaque aqui também. É muito difícil falar da história desse grande filme sem estragá-la por isso vou ficar quietinho quanto a trama. Posso dizer que o diretor Ron Howard fez um filme não só emocionante mas que mostra que por maiores que sejam nossas limitações nós não podemos nos entregar a elas, nós não podemos desistir daquilo que nós acreditamos. Se você tem certeza que nasceu para alguma coisa, por mais bizarra que ela seja, você tem que seguir isso. A felicidade está naquilo que você faz, naquilo que você acredita, você não pode parar de perseguir a felicidade em momento algum. Ah, a atuação de Russell Crowe só é a cereja no bolo.

6) "South Park - Maior, Melhor e Sem Cortes" ("South Park - Bigger, Longer and Uncut" - 1999): Quem assistiu os primeiros episódios da série South Park na TV nunca imaginou que os criadores Trey Parker e Matt Stone fossem ir tão longe. No meio da terceira temporada do desenho esse filme saiu e quebrou todas as barreiras possíveis. Liberdade de expressão? Ok, vocês pediram. Os absurdos que esse filme mostra são tão chocantes e hilários ao mesmo tempo que você ri e depois se sente mal por isso! Saddam Hussein tem um caso homossexual com o diabo, Hitler e Gandhi estão juntos no inferno e um simples filme causa uma guerra. Não é difícil ver a ironia pesada nisso tudo, por enquanto que o tema do filme é sobre um filme canadense que quebra os limites a ponto de criar uma guerra, esse é um longa que não só quebra os limites como também mastiga ele e cospe fora. Parker e Stone estão perguntando para as pessoas: "Ok pessoal, o quão longe nós podemos ir?" Essa comédia musical é tão repulssiva e tão inteligente ao mesmo tempo que vai te fazer questionar até mesmo o direito de liberdade de expressão. Eu não questiono porque eu amo esse humor-negro, mas várias outras pessoas vão.

5) "Borat - O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América" ("Borat - Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan" - 2006): Por enquanto que a toda a crítica de "Bruno" vai por água abaixo, o seu predecessor continua com sua mensagem inteligente ainda hoje. Como já dito na crítica de "Bruno" esse filme é um mocumentário, e é provavelmente o melhor mocumentário que existe atualmente. Borat (Sacha Baron Cohen) é um homem extremamente preconceituoso e ignorante, considerando que seu país é assim as pessoas não se surpreendem muito, ele vai para os Estados Unidos da América e no meio de suas hilárias e ofensivas aventuras ele nos prova o seguinte: Sim, o povo no Cazaquistão é preconceituoso e ignorante, mas as pessoas do país mais desenvolvido do mundo também são, a diferença é que eles se vestem melhor e tentam fingir que não são, e se nos EUA é assim assume-se que o mundo inteiro é repleto de pessoas preconceituosas e ignorantes. É uma realidade dura de aceitar e talvez equivocada, depende do que você acredita, mas Sacha Baron Cohen não está totalmente errado. O diretor é Larry Charles mas eu não sei ainda como dirigir um filme desses.

4) "Foi Apenas um Sonho" ("Revolutionary Road" - 2008): Esse foi um filme injustiçado por não ter nem concorrido ao Oscar de Melhor Filme, para mim esse daqui é melhor até que "Milk", mas não é por isso que está nessa lista. O diretor Sam Mendes (dirigiu "Beleza Americana") faz uma crítica pesada para toda sociedade. A trama gira em torno de um casal em conflito em 1955: Frank (Leonardo Dicaprio) e April Wheeler (Kate Winslet), muitos acharam que Dicaprio e Winslet (dois dos maiores atores da atualidade) queriam só repetir o casal de "Titanic", se era mesmo isso eu não vejo nenhum problema. Esse casal vive uma crise e ela vai evoluindo com o filme. Mas porque ele está aqui? A grande crítica de Sam Mendes é contra a hipocrisia das pessoas e dos padrões que a sociedade nos obriga a seguir. Frank e April só estão casados porque para eles casar é essencial, eles não se amam. Seus vizinhos são apenas falsos amigos com seus sonhos já mortos e que gostam de socializar com outras pessoas com esse mesmo problema. O louco do filme, John (Michael Shannon), na verdade é a voz da razão, a voz que vai contra toda essa hipocrisia que é a vida deles, e talvez seja por isso que ele é considerado louco.

3) "O Povo Contra Larry Flynt" ("The People vs. Larry Flynt" - 1996): Para quem não sabe Larry Flynt foi o primeiro americano a publicar revistas porno, a conhecida revista Hustler por exemplo. Esse filme mostra a história desse cara de uma forma que a maioria das pessoas não imaginaria. Larry Flynt teve (e acho que ainda tem) que lutar contra as críticas ao seu trabalho e contra pessoas que queriam até mesmo mandá-lo para a prisão. Flynt sempre manteve seus princípios, nunca foi um santo, mas lutou pelo que acredita. Esse filme, de Miloš Forman não tem nada a ver com a superação de Larry Flynt, esse filme simplesmente mostra o quão estúpida uma censura pode ser. Aquela velha história está aqui: Pode-se mostrar imagens de guerra e violência mas duas pessoas fazendo amor não pode? Claro que não é assim, eu discordo dessa frase, mas eu sempre achei censura algo até desnecessário em muitas ocasiões, e esse é um filme que acho que pode falar pelo que eu acredito. A idéia pra mim é a seguinte: É fácil defender a liberdade de expressão com palavras, mas vão existir momentos que nós vamos ter que lutar para defender esse nosso direito, e não adianta nada lutar por algo até que ele vá contra você. Se você acredita no direito de liberdade de expressão você tem que defende-lo, não importa se concorda com a situação ou não. 

2) "O Advogado do Diabo" ("The Devil's Advocate" - 1997): Dirigido por Taylor Hackford esse é um filme que trata do diabo. Você vê o monstro com um tridente e guampas? Não, mas você não precisa, é fácil sacar quem é o diabo aqui. Kevin Lomax (Keanu Reeves) é um advogado que ganha todos os seus casos, sempre fazendo a defesa de pessoas culpadas até o pescoço em coisas barra-pesada ele sempre da um jeito de vencer. O que vêm com isso? Um emprego melhor, um novo apartamento, muito dinheiro, a vida perfeita, etc. Agora isso é vender a alma ao diabo. Será que isso seria certo?    Esquecer que a pessoa cometeu uma atrocidade e visar o seu interesse? Isso é o mais puro egoísmo! É um longa que mostra os dois lados de pensar só em si mesmo, não é uma simples "liçãozinha de moral", é um filme que questiona a vontade das pessoas em ser o melhor e para isso atropelar os outros, e no fim o diabo fala para a audiência: "Vaidade, definitivamente meu pecado favorito". Ainda mais que o diabo é Al Pacino, com uma atuação fantástica dessas você só pode ter medo do satanás.

1) "Um Estranho no Ninho" ("One Flew Over the Cuckoo's Nest" - 1975): Novamente o primeiro lugar da minha lista vai para um filme com mais de 20 anos de idade e com Jack Nicholson no papel principal, o cara sempre foi um grande ator. Esse é um filme sobre a anti-psiquiatria, sobre o preconceito, sobre a loucura, etc. A trama é simples mas bem pensada: McMurphy (Jack Nicholson) é alegado louco e vai para um hospício quando na verdade ele só não queria estar preso. McMurphy vê as pessoas do hospício da mesma forma que ele vê a si mesmo e o que ele faz é tirar essas pessoas do casulo que o hospício criou para elas, os "loucos" também podem e merecem se divertir é a grande idéia de McMurphy. Toda santa cena desse filme tem uma grande mensagem junto: Quando eles roubam um barco o filme mostra que esses "loucos" são livres, eles não precisam ficar trancados num hospício, eles não representam perigo para ninguém (a não ser o roubo do barco, claro). Quando McMurphy joga basquete com todos o longa mostra que todos somos iguais, todos podemos fazer as mesmas coisas. Quando a médica principal xinga um dos pacientes por finalmente vencer o seu medo de relações, graças a McMurphy, o filme nos mostra o quão cruel o preconceito pode tornar um pessoa. Claro que tudo é simbólico mas esse é um filme tão lindo e tão inteligente na sua simplicidade que você entende. Assim como meu terceiro lugar esse filme é dirigido por Miloš Forman, um grande diretor. E ainda tem uma grande mensagem de liberdade o filme e, quem sabe, tem coisas que eu nem notei assistindo! Esse é um filme obrigatório para todos, um dos filmes mais lindos que já vi em toda minha vida.

Eu dedico essa lista a minha amiga Maria Eduarda que ajudou a criar esse blog, ainda ajuda a melhorá-lo e me sugeriu fazer essa lista. Obrigado amiga.

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Arraste-me Para o Inferno

É uma pena que no Brasil alguns dos filmes de terror mais divertidos de todos não ganhem o merecido reconhecimento. "Halloween", o filme que criou as regras para o gênero slasher no mundo todo é completamente desconhecido aqui! Já "Sexta Feira 13" que tornou as mortes tão memoráveis é lembrado pelas pessoas graças a Jason, Michael Myers deve morrer de inveja do amigo jogador de hóquei. E Freddy Krueger? Sua fama é enorme sim, mas algumas pessoas não sabem que ele é a estrela de "A Hora do Pesadelo" e que sua forma de matar é perseguir os outros em seus sonhos. E falando de filmes pouco reconhecidos o que dizer sobre a atual trilogia (vai sair o quarto) "The Evil Dead"? O nome de uma das mais prezadas séries de terror do mundo é uma piada aqui no Brasil! O primeiro saiu em VHS com o nome de "A Morte do Demônio", até ai tudo bem, mas então foi lançado no cinema com o nome de "Uma Noite Alucinante - Parte 1 - Onde Tudo Começou"... Uau, ótimo nome hein? Quem se prestaria a ver algo com esse nome no cinema? Depois ainda lançam no cinema o segundo filme chamado "Uma Noite Alucinante - Mortos ao Amanhecer"... O que é isso? Uma sequência ou um remake? Ainda mais que o nome em VHS foi apenas "Uma Noite Alucinante" sem subtítulo, assim quem esperava encontrar "A Morte do Dêmonio 2" nunca encontrou! Uma série tão boa não merecia isso... Mas o que isso tem a ver com "Arraste-me Para o Inferno"? Bem, a série "The Evil Dead" começou pelas mãos de um promissor diretor independente em 1981 chamado Sam Raimi, que após acabar a trilogia (o terceiro se chamou "O Exército da Escuridão", é sério) começou a ser assediado pelos grandes estúdios pois ele tinha mostrado seu talento. Em 2002 ele ficou mundialmente conhecido por dirigir "Homem-Aranha", depois se consagrou em 2004 com "Homem-Aranha 2" e em 2007 foi criticado duramente pelo seu "Homem-Aranha 3" (eu gostei, a crítica não). Então aquele diretor que lançou The Evil Dead" com 21 anos agora voltava as origens lançando um novo filme de terror chamado "Arraste-me Para o Inferno", agora com 49 anos e consagrado.

A premissa é estúpida: Uma bancária chamada Christine Brown (Alison Lohman) tem uma vida bastante normal com seu marido Clay Dalton (Justin Long). Ela está apenas tendo problemas no trabalho onde ela quer ser promovida mas está, para isso, competindo com seu colega de trabalho. Seu chefe, Mr. Jacks (David Paymer), aconselha ela a mostrar que pode fazer decisões difíceis. Ainda no banco Christine é visitada por uma senhora bastante estranha chamada Sylvia Ganush (Lorna Raver) que pede por um terceiro empréstimo. Para se provar para seu chefe ela recusa e isso leva Sylvia a implorar para Christine se ajoelhando e se humilhando na frente de todos. Christine pede para ela se levantar e vai ficando nervosa até chamar a segurança que tira Sylvia de lá, seu chefe aprova sua decisão e a forma como Christine lidou com a situação. Já no seu carro nossa protagonista é surpreendida por Sylvia e isso nos leva a uma das brigas mais hilárias da história do cinema, e não pense que isso é uma coisa ruim, Raimi queria que ficasse engraçado! Após a briga coisas estranhas começam a acontecer com Christine e esse é o rumo do filme... Estúpido não? Pode até ser, mas isso não muda o fato de ser fantástico!

Diferente de outros filmes de terror que ficam um bom tempo criando mistérios "Arraste-me Para o Inferno" simplesmente pega o exemplo do clássico "A Noite dos Mortos Vivos" (de 1968) e joga tudo direto para o telespectador. Aos 15 minutos de filme você já está vidrado na tela tomando sustos, ficando com medo e... Rindo! A mistura de horror com comédia é perfeita! Quando você acha que vai ter tempo para respirar um pouco o filme vai lá e estoura de novo! Algumas coisas prejudicam a história, já fraquinha, como a burrice da protagonista e de alguns outros personagens também como, por exemplo, Rham Jas (Dileep Rao) que é um vidente que resolve ajudar Christine. As teorias desse personagem não parecem ter nenhuma consistência, ele vai mudando de opinião a todo momento e isso pode ser irritante. Algumas cenas realmente estranhas mas muito divertidas são criadas com as possibilidades que as coisas estranhas que acontecem com Christine abrem. Eu não estou falando de ver portas se fechando e se abrindo, isso é fichinha, eu estou falando de coisas hardcore que eu não posso mencionar para não estragar o seu filme.

O ponto final é: Esse é um filme obrigatório para aqueles que gostam de terror. E para aqueles que gostam de diversão não é de forma alguma uma má pedida. Claro que tem uma premissa idiota e não foge dos clichês, mas "Arraste-me Para o Inferno" não precisa disso, tendo a criatividade de Sam Raimi ao seu lado não só nas reviravoltas, mas também no senso de humor, nas cenas bizarras e nos ângulos de câmera extraordinários (marca registrada do diretor) já é um trunfo mais do que o suficiente para se tornar um filme para a estante. Isso sem mencionar os ótimos efeitos especiais, os constantes sustos, a atmosfera assustadora e a trilha sonora legal. Não perca esse filme de forma alguma e aguarde com ansiedade para em 2011 assistir "Homem-Aranha 4". (Três notas acima de 8.5 em quatro críticas? Entrei numa boa fase e filmes)

Nota: 9.0

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Bruno

Quem assistiu "Borat - O Segundo Melhor Repórter do Glorioso País Cazaquistão Viaja à América" (só o nome já conta toda a trama) logo que foi lançado teve a oportunidade de assistir em primeira mão a popularização de dos gêneros mais estranhos do mundo do cinema. O gênero mocumentário (documentário com intenção de ser engraçado onde nem tudo precisa ser real) já existia antes de "Borat" sim, mas foi com o famoso repórter do Cazaquistão que essa idéia ganhou reconhecimento mundial. "Borat" tinha uma crítica genial por trás de tanta besteirada e por isso foi tão bem recebido por todos, e além de genial era hilário, extremamente ofensivo e em algumas cenas chegava a ser repugnante, mas foi um filme hilário. Três anos depois o produtor, escritor e ator principal desse filme que quebrou barreiras decide voltar porque, segundo o poster de Bruno, "Borat foi tão 2006". Dessa vez Sacha Baron Cohen vive um repórter austríaco, homossexual e sem nenhuma descrição. A idéia era principalmente criticar a homofobia entre outras coisas, existem sim idéias inteligentes aqui, mas também existe muita coisa desnecessária, coisas contraditórias e uma forte apelação. Diferente de "Borat" aqui a maioria das críticas são não só óbvias como manjadas já. Sem contar que desta vez o diretor Larry Charles não tinha a inovação ao seu lado, a barreira já havia sido quebrada. E isso acabou resultando num filme mais ou menos engraçado, fraco no seu lado mais inteligente e ouso dizer, meio tedioso.

A premissa segue a mesma idéia de "Borat": Por enquanto que no primeiro filme vemos um repórter cazaquistanês preconceituoso e ignorante se preparando para viajar a américa em "Bruno" nós vemos um repórter austríaco homossexual e ignorante se preparando para viajar a américa. O personagem Bruno (Sacha Baron Cohen) não é como Borat, muito engraçado mas irritante, Bruno é engraçado mas muito irritante, e essa é uma grande diferença. Logo de início toda crítica contra a homofobia vai abaixo. As pessoas do filme podem muito bem não odiar os gays mas sim odiar um completo imbecil que se veste de forma totalmente inadequada para... Bem, para qualquer situação. Bruno despeja desrespeito de uma forma inumana praticamente pedindo: "Vamos me odeie, por favor tenha um acesso de raiva, me ajude a ganhar dinheiro!". A pessoa mais homofóbica na tela é o próprio Sacha Baron pois o personagem não segue a cultura gay, ele multiplica ela o máximo possível e se torna um estereótipo tão absurdo que a própria GLAAD é contra o filme. O absurdo do filme atinge a heterossexuais e a homossexuais. E as partes que tratam disso são pura apelação, as críticas de segundo plano são muito mais engraçadas.

Mas pelo menos existem outras críticas no filme que fazem a experiência não ser um total desperdício, e algumas ironias muito bem pensadas. Uma das cenas que eu mais gostei foi quando eles tiram sarro com a cara dos... Críticos... O personagem faz um programa de TV (tão estúpido que chega a ser engraçado) e a crítica assistindo para avaliar se deve ou não ir para a TV detesta o programa, e depois Bruno ainda desce e faz um showzinho para eles. Além de ser uma cena engraçada é uma forma de Sacha Baron dizer: "Vocês gostaram de 'Borat'? (89% de aceitação da crítica) então vocês vão gostar disso!" Apesar de Sacha estar errado é uma ironia muito bem pensada. Uma cena completamente combinada também tem seu valor nesse longa, quando Sacha crítica aqueles pais hipócritas que tudo que querem é ter um filho atuando. Bruno diz os maiores absurdos possíveis e os pais parecem nem ouvir, apenas para ter seu filho aceito para um papel! Apesar de ser uma cena combinada (o que vai contra a proposta do filme) é algo não só chocante como real. E existem outras cenas hilárias como uma "entrevista" com Harrison Ford e uma luta livre no final. Infelizmente isso não salva o filme.

O ponto final é: Se você quer rir um pouco até assista, em qualquer outro caso se mantenha longe. No momento que você decide que vai desmascarar a sociedade porque ela não gosta de um certo povo, você tem de ter ceteza que você mesmo não está discriminando aquele povo. Com suas falas idiotas e sua forçação de barra extrema Sacha Baron Cohen mastiga o bom senso e cospe fora com esse seu filme preconceituoso que só está atrás de mais dinheiro aparentemente. Contrastando com "Borat" onde tudo foi muito bem pensado para ter seus momentos estúpidos e seus momentos inteligentes, "Bruno" é uma bagunça cheia de ofensas soltas e cenas descaradamente combinadas com críticas fracas e sem imaginação (com uma ou duas excessões). E até na questão do humor se perde um pouco, assistindo você não ri muito, você ri mais contando aos seus amigos as besteiradas desse filme.

Nota: 4.0

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Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Filmes do Harry Potter, como vocês viram nas minhas críticas, tiveram seu altos e seus baixos. Vários diretores tentaram se firmar mas o mais próximo de fazer jus ao livro foi Alfonso Cuarón. Os outros pra mim tinham se perdido. Se coubesse a mim, naquela época, Cuarón ia ser o diretor até o fim pois os outros pareciam incapazes de fazer um filme sobre Harry Potter... Nada como estar errado e sair de boca fechada do cinema. David Yates dirigiu "A Ordem da Fênix" e não foi muito feliz, mesmo assim assinou um contrato para todos os próximos filmes da série, e... Ele acaba de fazer o melhor filme da série disparado. Com a atmosfera que eu sempre sonhei para um filme de Harry Potter esse filme é fantástico. Acho que eu não imaginava que fosse chegar a esse ponto... Sem brincadeiras eu estou sem palavras... História extremamente bem montada, melhor do que em "O Prisioneiro de Azkaban"? Sim. Cenas de ação bastante empolgantes e extremamente bem feitas? Sim. Choques dramáticos inteligentes que emocionam, e na quantidade certa? Sim. Todas atuações acima da média? Sim. Cenas românticas sem estardalhaço que se encaixam perfeitamente, nada forçado? Sim. HUMOR SÚTIL E ENGRAÇADO AO MESMO TEMPO? SIM! ACREDITEM SE QUISER, SIM! Esse é o primeiro filme da série que acertou em cheio na hora do humor. Pra ser sincero eu continuo impressionado com a qualidade desse longa maravilhoso. Esse é o filme de Harry Potter definitivo pelo menos até sair os últimos dois filmes (o último livro vai ser dividido em dois para o cinema).

O filme já começa de forma arrebatadora quando a câmera viaja em alta velocidade pela cidade. Em poucos minutos a situação já está explicada só por imagens: Os Comensais da Morte estão atacando não só o mundo bruxo como o mundo trouxa. Os bruxos estão em guerra, os jornais escolhem Harry Potter (Daniel Radcliffe) como "O Eleito" para derrotar Voldemort (Ralph Fiennes) uma segunda vez. As coisas estão tão caóticas que Harry Potter é buscado pelo próprio Dumbledore (Sir Michael Gambon) para ir para a escola. Enquanto isso, o maior rival de Harry, Draco Malfoy (Tom Felton) foi designado por Lord Voldemort para praticar uma missão dentro de Hogwarts. Mas caos, morte, perigo, trevas, medo não são coisas que façam o amor parar... Rony (Rupert Grint) arranja uma namorada chamada Lavender Brown (Jessie Cave) o que deixa Hermione (Emma Watson, que considerou sair da série após o quinto filme... Estranho não? Onde ela teria maior visibilidade? Enfim...) com o coração partido e irritada. E até Harry esqueceu de Cho Chang e agora está interessado na irmã de Rony, Gina (Bonnie Wright). Mas mesmo assim isso não é "Sex and The City", isso é o melhor filme de Harry Potter até agora.

A atmosfera de "O Enigma do Príncipe" é fantástica. Mesmo em seus momentos mais românticos ou mais engraçados as trevas sempre estão passeando pelo filme. Até para quem leu e releu o livro o suspense continua forte. Um grande trunfo desse filme são os personagens, e isso até se deve a outros diretores como Cuarón, Mike Newell e até Chris Columbus, que dirigiu os dois piores filmes da série, afinal os personagens principais e secundários foram tão bem montados nos outros cinco filmes que Yates não precisa mais se preocupar com isso, ele pode se focar totalmente na história, os atores já estão familiarizados com os personagens, e isso ajuda muito. Vale lembrar que "A Ordem de Fênix", apesar de ser um filme mediano, tiveram as melhores cenas de ação de toda série e ainda mais com Harry interagindo como um verdadeiro herói, em "O Enigma do Príncipe" isso foi ainda mais aprimorado. Então quais são os defeitos do filme? Honestamente, apesar de fugir do livro em certos momentos, eu não vi nada demais. Algumas cenas românticas são as vezes meio estúpidas e chatas, parece que são para passar tempo, mas fora isso eu não vejo nada demais. Um detalhe: A fotografia desse filme é maravilhosa, é bom o Oscar cortar o preconceito e "O Enigma do Príncipe" pelo menos concorrer a melhor fotografia.

O ponto final é: Engole essa Peter Jackson! Engole essa! Toda maravilhosa trilogia de "O Senhor dos Anéis" tem que engolir essa! "A Sociedade do Anel" e "As Duas Torres" ficam atrás desse sexto filme de Harry Potter. Já com "O Retorno do Rei" é outra história... Quem sabe nos próximos filmes? Ok, mas brincadeiras a parte, esse longa do bruxo é tão fantástico que vai fazer qualquer Pottermaníaco delirar. Esqueçam os outros 5 filmes, esse é aquele que todos queriam ver. Antes eu dizia que mesmo aqueles que não gostavam do bruxo deveriam ver alguns de seus filmes, o que era uma certa ingenuidade da minha parte se torna certeza agora: Vão por mim, "O Enigma do Príncipe" é um filmaço! E como qualquer filmaço, merece ser visto.

Nota: 9.0

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Milk - A Voz da Igualdade

Essa é para fechar os 4 "melhores filmes do Oscar", e no fim das contas o melhor ficou por último. Vou primeiro dizer algumas coisas: Preconceito é um assunto estúpido, tu sempre vai chegar na mesma conclusão: "O preconceituoso é um ignorante". O único filme sobre homofobia que conseguiu realmente me deixar emocionado foi "Meninos Não Choram", e olha que eu vi "Filadélfia". Eu costumava pensar que eu nunca seria tocado por um filme com o qual eu não posso me identificar. E eu não estava tão errado. Eu não me emocionei com essa luta dos homossexuais contra o preconceito, mas eu fui entretido demais por ela. E cinema não é para isso? Entretenimento? Pra mim não teve nenhuma mensagem nova, foi só mais um filme baseado na vida de uma pessoa histórica, só que extremamente bem feito. Eu não sei nada sobre a vida de Harvey Milk, pra ser sincero eu nem sabia quem ele era antes de assistir, e pior ainda, mesmo depois de gostar tanto desse filme eu ainda não me interesso em saber mais sobre Harvey Milk! Eu mesmo achei estranho esse fato. Depois de assistir "Meninos Não Choram" eu queria saber quem Brandon Teena foi, porque não aconteceu a mesma coisa com Harvey Milk? Os dois são ótimos filmes, tratam basicamente do mesmo assunto (só de formas diferentes) então porque "Milk" não chamou tanto a minha atenção? Honestamente, nem eu sei. No papel de Harvey Milk está Sean Penn, que por esse papel venceu o Oscar de Melhor Ator merecidamente. E o diretor é Gus Van Sant... Lembram dele? O cara que fez o remake de "Psicose" e dirigiu "Paranoid Park". Se com "Paranoid Park" eu pude perdoar ele pelo fiasco de "Psicose", agora com "Milk" eu já posso aplaudir o ele.

A trama gira em torno de Harvey Milk, Harvey está fazendo seu testamento por rádio, isso em 1978. Então o filme vai para 1970 (Flashback? No Oscar? Que surpresa!) No dia em que ele está completando 40 anos. Ele se encontra com Scott Smith (James Franco) que acaba virando seu namorado. Harvey e Scott acabam mais tarde decidindo sair de Nova Yorke e ir morar em São Francisco. Frustrado pela oposição que ele encontra lá ele resolve se tornar, com sua bagagem de "homem de negócios", um ativista gay. Nós acompanhamos toda a evolução da carreira política de Harvey Milk, tudo é explicado sempre de forma sutil mas aberta: Até o maior leigo em política poderia entender as coisas que eles discutem. Tudo é feito de uma forma perfeita. O filme consegue mostrar de forma nada cansativa a vida pessoal de Milk e a vida política dele. Eventualmente, desgastado por tantas campanhas, Scott acaba se separando de Harvey. E Harvey mais tarde começa a ter um relacionamento com Jack Lira (Diego Luna) um jovem bastante desequilibrado.

Um personagem que muitas pessoas apontaram como um acréscimo ao filme foi Cleve Jones (Emile Hirsch), para mim tinha sido sim um bom personagem e nada demais, mal sabia eu que Cleve Jones é outro ativista gay, ainda vivo, dos Estados Unidos da América. O que o filme faz é mostrar como Milk influenciou ele a se tornar um ativista. É, de fato, bastante interessante. O que faz esse filme ganhar mais pontos ainda é o fato de tudo ser muito acurado historicamente, a história de Harvey Milk é contada de uma forma, pelo meu entendimento, sem deslizes. E mesmo sem Van Sant tentar mudar um pouco a história para os nossos olhos, tudo continua sendo épico demais. Harvey Milk enfrenta problema atrás de problema, decepção atrás de decepção e continua sempre batalhando. Isso é o maior trunfo de "Milk - A Voz da Igualdade", não é mais um simples filme pretensioso sobre preconceito, e sim um filme que está dizendo: "Lute pelo que você acredita". E Harvey luta. O que ele faz é pegar a responsabilidade para ele, ele quer falar por todos os homossexuais dos Estados Unidos e não esconde isso de ninguém, e por isso é um filme tão inspirador. Na minha opinião a parte do preconceito fica secundária, e se não ficasse, "Milk" não seria metade do filme que é.

O ponto final é: Seja hetero, seja gay, seja bi esse é um filme para a estante. "Quem Quer Ser Um Milionário" que me desculpe, mas entre os quatro filmes escolhidos, o meu Oscar vai para "Milk - A Voz da Igualdade". "O Leitor" foi bastante fraco, "O Curioso Caso de Benjamin Button" foi bom, "Quem Quer Ser Um Milionário" foi ótimo, mas "Milk" chegou perto da perfeição. O único defeito desse filme é o sentimento após o término: Foi um filme maravilhoso de se assistir, mas cinco minutos depois eu já não estava mais pensando sobre ele, eu não senti vontade de sair pesquisando sobre tudo que o filme teve para oferecer. O que faltou pra mim foi aquele fator que não só faz tu ter o filme na estante, como faz tu tirar e por no DVD várias vezes para rever inteiro, ou ver alguma cena que marcou o filme pra ti. Isso "Milk" não tem... O que isso significa? Que faltou pouco, muito pouco, para receber uma nota 10.

Nota: 9.5

PS: Acesse: www.radiobahamas.com.br , a partir desta segunda-feira, 17 de agosto das 12:00 as 13:00 horas para ouvir meu amigo Padua falando de Série A, Série B, e outros esportes. Não perca!

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Passageiros

Pegue um diretor que está crescendo na carreira e para o papel principal pegue uma atriz que também está cada vez melhor... O filme tem tudo para se sair bem não? Foi isso que eu pensei quando fui assistir "Passageiros", me parecia interessante: Um suspense com direção de Rodrigo Garcia não me parecia uma má idéia. Ainda mais quando a belíssima Anne Hathaway está no papel principal, a estrela de "O Diário da Princesa", "O Diário da Princesa 2", "O Casamento de Rachel" e ainda fez um papel secundário no Blockbuster "O Segredo de Brokeback Mountain"... Em outras palavras: Hathaway tem currículo, e com razão, é uma boa atriz. Mas no caso de "Passageiros" ela é realmente o único atrativo do filme. Se Garcia tem uma carreira promissora a ponto de um dia virar um dos diretores Top de Linha, esse vai ser um filme para esquecer. Na verdade mesmo que ele se aposente hoje esse é um filme para esquecer. Desculpem mas algumas atuações boas e as curvas de Hathaway não são nem perto do suficiente para eu poder ignorar a estupidez dessa porcaria, é o tipo de filme que é tão burro que chega ao ponto de ser um desrespeito com quem assiste. Ultimamente os suspenses estão numa fase difícil, suspenses geniais como "O Silêncio dos Inocentes" são muito raros de serem encontrados hoje em dia, mas pelo menos eles costumam fazer sentido! "Passageiros" passa em branco, cria muitas perguntas, dá poucas respostas e todas, repito, TODAS as respostas tem furos enormes que até uma criança de cinco anos poderia notar.

O filme tem uma premissa interessante (que depois afunda com todo o resto). Nossa protagonista se chama Claire Summers (Anne Hathaway), seria ela irmã de Scott Summers, o Ciclope dos "X-Men"? Ok, péssima piada. Mas ela tem uma irmã, que brigou com ela, por isso nós não desfrutamos de sua companhia durante o filme. Claire é uma terapeuta que, no seu novo trabalho, vai fazer consultas com pessoas que sofreram um terrível choque após a queda de um avião em que eles sobreviveram numa ilha ("Lost"?) e depois foram resgatados. Um desses pacientes é Eric (Patrick Wilson) que logo que vê a doutora Summers fica instantaneamente atraído por ela. Isso nos leva por uma torturante cena em que Eric lança umas milhares de cantadas horríveis e Claire corta ele em todas. Claire convida Eric para uma sessão de terapia em grupo, com todos os sobreviventes do desastre, mas Eric diz que está bem e que só aceitaria se a terapia fosse só eles dois na casa dele... Como uma terapeuta inteligente que ela é Summers não pensa que esse tarado só quer levar ela pra baixo dos lençóis, ela acha que ele simplesmente está se esquivando de suas perguntas pois ainda está muito abalado, então ela concorda com a proposta desse homem que ela nunca tinha visto na vida dela... Então o filme se transforma numa comédia romântica (na verdade se não teve nada de suspense no ínicio então ele sempre foi uma comédia romântica) e passa alguns longos quarenta minutos com Eric passando cantadas horríveis e Claire cortando ele. Depois desses quarenta minutos o filme finalmente decide por algum suspense, mas nesse ponto eu já estava pouco me lixando.

O suspense do filme é a suspeita de Claire de que a companhia para a qual ela está trabalhando está tentando esconder que na verdade foi uma falha do avião e não do piloto... Uau, o roteirista realmente não conseguiu pensar em outra coisa? E pra piorar ainda mais o desenvolvimento dessa idéia, que já é tão pobre, demora muito para se desenrolar pois o romancezinho continua aparecendo, sempre lembrando que essa história começou aos quarenta minutos. Eu não vou soltar spoilers mas o final, além de ser mais clichê do que nunca (eu ficava me perguntando se eles teriam coragem de colocar um final assim) não faz o menor sentido. Qualquer pessoa pode levantar no ar um monte de perguntas sem respostas, mas é preciso alguém que realmente está pouco se lixando para o que está fazendo para levantar um monte de perguntas no ar, deixar algumas sem respostas, e responder algumas com respostas furadas só pra ter um desculpa: "Pelo menos eu respondi". Esse foi um dos roteiros mais furados que eu já vi em toda a minha vida, até o título não tem inspiração, parece que escreveram essa história em um dia e mandaram filmar no outro.

O ponto final é: Seria "Passageiros" o pior filme que eu já vi na minha vida? Não, definitivamente não, mas certamente é o pior suspense que eu já assisti, e considerando o número de suspenses horríveis que eu já assisti, isso é um grande feito. Pode vir alguém e dizer: "Ah, mas a Anne Hathaway é linda, então não pode ser tão ruim" mas isso é papo furado, não é porque a protagonista é gostosa que o filme fica menos pior. Se tu quer ver a Anne Hathaway é só procurar no Google, tenho certeza que milhares de fotos provocantes vão aparecer na sua tela. Ou espere pois em 2010 vai sair uma adaptação em live-action do conto de fadas "Alice no País das Maravilhas", dirigida por Tim Burton e estrelando Johnny Depp e Anne Hathaway, e eu tenho um ótimo pressentimento sobre o meu conto de fadas favorito ir pra tela com Tim Burton no comando, e mesmo que não seja bom, só o trailer já é melhor do que "Passageiros".

Nota: 0.5

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Paranoid Park

Recomendado por um amigo, torci o nariz para "Paranoid Park" assim que vi quem era o diretor: Gus Van Sant. O cara que ousou, em 1998, fazer um remake do clássico "Psicose". Claro que dali em diante as coisas evoluíram muito. Após aquele desastre ele fez muitos outros filmes. Confesso que fiquei por fora, foi um diretor que eu alimentei um certo preconceito após assistir aquela versão de "Psicose". Mas a forte recomendação de um amigo foi a chave para eu voltar a assistir um filme de Van Sant. O que eu posso falar de "Paranoid Park"? Imagine uma poesia sendo filmada. É basicamente isso. Esse é um filme lindo não por te emocionar com sua história triste, mas sim por te emocionar com sua imagens maravilhosas, te emocionar com uma câmera perfeita, uma câmera que beira o revolucionário. Então o filme é perfeito? Longe disso. Se uma poesia fosse extentida por uma hora e meia ela teria seu momentos vazios. E "Paranoid Park" chega até a frustrar um pouco com alguns momentos vazios, algumas pessoas podem até dizer que esse filme deveria ser um curta para não ser tão cansativo em certos momentos. Eu discordo: Se fosse um curta a sensação não seria a mesma, seria só mais um curta. E eu tenho a impressão que Van Sant sabia disso. "Paranoid Park" é uma obra ousada, pois eu não imagino como alguém vai dirigir um filme desses com perfeição. E essa não é a única preocupação: Incluido Gabe Nevins (o ator principal) o filme é composto apenas por atores amadores, tirando Taylor Momsen, que se inscreveram pelo site americano MySpace. Sem atores profissionais o trabalho certamente ficou muito mais difícil para o diretor. Gabe Nevins atuou bem, o resto nem tanto.

A trama gira em torno de Alex (Gabe Nevins), um skatista de 16 anos. Alex estuda num colégio público, tem uma namorada, Jennifer (Taylor Momsen), a qual ele não gosta, que o pressiona para ele tirar a virgindade dela. Seu melhor amigo, Jared (Jake Miller), é um cara menos profundo que ele e não o entende. Alex vai andar de skate num "skatepark" ilegal conhecido como Paranoid Park, a primeira vez ele é encorajado por Jared, mas depois ele vai sozinho. Eu poderia dizer que a história é contada em flashback mas eu não tenho certeza... A história vai seguindo as anotações de Alex no seu caderno, e ele mesmo escreve no início do filme "estou escrevendo tudo fora de ordem...", e isso me leva a acreditar que o filme também está fora de ordem. Uma noite em Paranoid Park Alex é convidado por desconhecidos para saírem juntos. Alex vai, mais tarde naquela noite Alex acaba sendo responsável pela morte de um policial e é deixado sozinho pelos "amigos". Aterrorizado ele se livra de tudo que possa o ligar ao homicídio, mas mesmo assim a polícia local começa a investigar em sua escola.

O que diferencia muito "Paranoid Park" de outros dramas é sua forma de mostrar as coisas. O filme economiza palavras o máximo possível, ou seja, se você não gosta de filmes que apostam no silêncio para se expressar, se você não gostou de "WALL-E", esse não é um longa para você. Discussões que você pode entender apenas vendo as reações dos personagens, conversas desnecessárias para o entendimento da trama são sem som, você ouve apenas uma música melancólica no lugar. Por isso a câmera se destaca: As imagens tem o dever de falar pelo filme, e é surpreendente como algumas cenas podem ter mais impacto se você não ouvir o que os atores estão dizendo. Os diálogos são escassos mas necessários, e é isso que dá o tom poético para o filme. Mas esse também é seu maior ponto fraco: Cenas desnecessárias e até repetidas em câmera lenta frustram em alguns momentos, e ir até o fim do filme assim da uma sensação de tédio que compromete a experiência. É preciso uma dose de paciência extra para assistir "Paranoid Park".

O ponto final é: "Paranoid Park" é bom. Bem bom. Mas infelizmente sofre de alguns defeitos graves que realmente incomodam. Me lembrou um pouco o suspense espanhol "O Orfanato" pois é um bom filme mas, ao mesmo tempo, tem uma sensação anestésica. Essa sensação pode fortalecer o efeito do filme no telespectador como também pode irrita-lo. Deve ser assistido com a mente aberta. Dependendo da forma que você interpretar as coisas pode ser um filme que pode chegar fundo o suficiente a ponto de ser considerado uma obra-prima. No meu caso é simplesmente mais um bom filme, que merece ser visto. Gus Van Sant foi perdoado por mim, agora posso esquecer o remake de "Psicose".

Nota: 7.5

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